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Aos 86 anos, estudante do DF termina 2ª graduação e faz planos: 'já estou na pós'

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Aos 86 anos, estudante do DF termina 2ª graduação e faz planos: 'já estou na pós'

Amélia Diniz é formada em filosofia e concluiu curso superior de teologia. 'Quero aproveitar a vida da melhor maneira que eu puder', diz.

Foto - Amélia Diniz, aos 86 anos, concluiu, esta semana, a segunda graduação (Foto: Marília Marques/G1)

 

Aos 86 anos, a aposentada Amélia Diniz exibe com orgulho a pilha de livros e cadernos preenchidos com o capricho típico de uma aluna aplicada. A estudante está prestes a se formar em teologia, a segunda faculdade concluída após um intervalo de mais de 60 anos. A formatura será nesta quarta-feira (21) em Brasília.

Antes mesmo de pegar o diploma, a idosa já decidiu os próximos passos. Amélia, que também exerce os papéis de mãe, avó e bisavó, se matriculou em uma pós-graduação noturna e agora pretende voltar às salas de aula pelo menos duas vezes na semana.

 

"Me sinto muito honrada em ter concluído. Quero aproveitar a vida da melhor maneira que eu puder."

 

Um dia antes da tão sonhada formatura, Amélia recebeu o G1 em sua casa. À reportagem ela contou que sempre se dedicou aos estudos e foi aprovada com a nota 9,5 no Trabalho de Conclusão do Curso, o "temido TCC", brinca. O tema escolhido para o artigo foi a relação entre o Papa Francisco e a Igreja Católica.

Amélia conta ainda que no início do TCC escreveu grande parte do texto à mão, em folhas de papel. Mas mesmo sem dominar o uso do computador acabou optando por trocar o meio analógico pela tecnologia.

 

"Comecei escrevendo tudo à mão, mas errava muito e rasgava a folha. No computador tinha a vantagem de ir escrevendo e consertando, mas sou péssima em digitação."

 

 
Amélia mostra caderno usado durante curso de teologia (Foto: Marília Marques/G1)Amélia mostra caderno usado durante curso de teologia (Foto: Marília Marques/G1)
 

64 anos depois...

A decisão de prestar vestibular, depois de 64 anos sem estudar, veio após a morte do marido. Amélia já era formada em filosofia, curso que fez no Rio de Janeiro em 1950. Naquela época, a primeira opção, segundo a bisavó, era estudar matemática, mas por decisão do pai, teve que abrir mão da área de exatas.

Antes de escolher voltar a estudar, Amélia diz que a rotina em casa era dividida entre desafios de lógica – sudoku – e jogo de buraco no tablet. "Não rendia nada." A inscrição no vestibular – há quatro anos – foi feita sem o conhecimento de nenhum dos sete filhos. "Só contei para minha irmã."

 

"Quando meus filhos chegavam para me visitar, eu jogava os livros embaixo da mesa."

 

Amélia diz que estudou "o suficiente" para conquistar a aprovação. "Tinha medo de não ser aprovada, mas no dia do vestibular, minhas filhas chegaram em casa e tive que pedir que me levassem para fazer a prova", conta.

 
Aos 86 anos, Amélia concluiu curso de graduação em teologia (Foto: Marília Marques/G1)Aos 86 anos, Amélia concluiu curso de graduação em teologia (Foto: Marília Marques/G1)

 

O vestibular

Sorrindo, a teóloga recém-formada conta que fez a prova do vestibular confiante. "Esperava que poderia passar". Amélia também contou com uma forcinha dos céus. A aposentada confessa que ao saber da aprovação, fez uma novena à Nossa Senhora e, na promessa, pediu saúde e disposição para concluir os quatro anos de estudo.

"Talvez Ela [Nossa Senhora] tenha vacilado um pouco com a minha saúde", brinca ao dizer que convive com tonturas frequentes. "Mas os professores foram 100% comigo. Meus colegas eram atenciosíssimos e sempre chegavam com um cafezinho e copo d'água", diz.

"Passei muito tempo dedicada à faculdade, não fazia outra coisa de tarde. Só interrompia quando meus filhos chegavam, porque nunca deixei que o estudo prejudicasse meu relacionamento com eles", conta orgulhosa.

 

Inspiração

Na família, Amélia é vista com uma inspiração. Renata Diniz, uma das 14 netas da aposentada, diz que a avó é "muito aplicada" e foi uma excelente aluna na graduação ."Sei que ela era muito elogiada."

Ao G1, a servidora pública afirma, no entanto, que apesar da extrema de dedicação da avó, Amélia nunca deixou de receber a família no tradicional almoço de domingo."Em época de prova ela vivia cansada, do tanto que estudava, mas sempre encontrava tempo", relata.

Já formada, Amélia agora diz que aconselha às amigas a dar continuidade aos estudos. 

"É importante ocupar a cabeça. Fez muito bem para mim".

Por Marília Marques, G1 DF 

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