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Após pressão partidária, Alckmin troca secretário do Meio Ambiente

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Após pressão partidária, Alckmin troca secretário do Meio Ambiente

Saída de Ricardo Salles teve influência de seu próprio partido, o PP; um dos líderes do movimento Endireita Brasil, secretário colecionou enfrentamentos com ambientalistas e investigações por improbidade administrativa

Após pressões partidárias, o secretário estadual do Meio Ambiente Ricardo Salles esteve na tarde desta segunda-feira, 28, no Palácio dos Bandeirantes para acertar com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sua saída da pasta. A decisão foi política. O principal motivo para a saída foi a pressão do partido de Salles, o PP, que não estava satisteito com o desempenho do secretário e pediu a troca ao governador. O secretário é investigado em inquéritos de improbidade administrativa.

O mais cotado para assumir a pasta é Maurício Brusadin. Ex-membro do PV, Brusadin tem histórico de militância na área ambiental. Nas eleições de 2014, ele trabalhou na campanha do candidato Aécio Neves (PSDB), coordenando as redes sociais.

Salles, jovem secretário que ganhou notoriedade liderando o movimento Endireita Brasil, sofreu desgaste no cargo por sucessivos enfrentamentos com lideranças ambientalistas. Questionado pelo Estado, Salles afirmou que só o governador poderá falar sobre o assunto, mas que, caso a troca seja confirmada, sairá "com a sensação do dever cumprido."
 

Em suas redes sociais, Salles postou nesta segunda-feira carta enviada no dia 7 de agosto por ele e o seu secretário-adjunto, Antonio Velloso Carneiro, a Alckmin pedindo o afastamento do cargo. Eles escrevem que pautaram a gestão da secretaria “pela busca incessante de desburocratização, simplificação e racionalização da máquina administrativa, sempre com estrita observância da legislação ambiental e em defesa da sustentabilidade.”

Em outro momento, escrevem: “procurando defender a livre iniciativa, o respeito à propriedade privada e a tão necessária segurança jurídica, acreditamos ter dado nossa contribuição para tornar o nosso Estado de São Paulo ainda mais próspero e competitivo.” Com isso, dizem que vão retomar suas atividades no setor privado.

Junto à carta, Salles postou: “Apresentamos ao governador Geraldo Alckmin um relatório de todas as atividades desenvolvidas nesse um ano e pouco à frente da Secretaria do Meio Ambiente, todas voltadas à diminuição do tamanho da máquina pública, da racionalidade, da celeridade, da eficiência e de uma boa gestão em busca da sustentabilidade e sempre em defesa ao meio ambiente. A partir de amanhã, tendo finalmente o governador acolhido o nosso pedido, o secretário adjunto Antonio Velloso e eu retornamos às nossas atividades profissionais no setor privado, com o sentimento do dever cumprido e na certeza de termos empreendido todos os esforços em prol do interesse público”.

No último dia 18 de agosto, o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) - afilhado político de Alckmin - também trocou o secretário do Meio Ambiente por pressões partidárias. A saída do secretário Gilberto Natalini (PV) foi pedida pelo PL. No começo de agosto, antes da demissão, Natalini havia denunciado irregularidades na pasta.

Denúncias. Nomeado para o cargo em julho de 2016, Salles sofreu desgaste desde o início, quando passou a ser investigado pelo Ministério Público Estadual (MP-SP) por improbidade administrativa. Ele se tornou réu em uma ação civil pública após ser acusado de ter alterado as propostas do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Várzea do Tietê, atendendo a solicitações da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No fim de março, o MP-SP abriu um segundo inquérito para investigar outros possíveis atos de improbidade administrativa de Salles, desta vez por conta de um chamamento público de interessados na venda ou concessão de 34 áreas do Instituto Florestal, como estações experimentais, florestas e hortos. Para os promotores, Salles teria cometido irregularidades ao manipular o procedimento para a concessão ou venda desses espaços. 

Em abril, um grupo de 12 promotores de São Paulo encaminhou uma representação ao procurador-geral de Justiça do Estado, Gianpaolo Smanio, pedindo investigação criminal de Salles. Eles apontam possíveis crimes de coação no curso do processo e de usurpação de função pública no caso da APA Várzea do Tietê.

- ESTADÃO - Pedro Venceslau, Fabio Leite, Fábio de Castro e Giovana Girardi, 28 Agosto 2017 | 16h37

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