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'As Golpistas' conta boa história de amizade e girl power com ótimo elenco feminino

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'As Golpistas' conta boa história de amizade e girl power com ótimo elenco feminino

Filme baseado em história real mostra como grupo de strippers bolou plano para tirar vantagem de clientes ricos em Nova York. Jennifer Lopez é cotada ao Oscar ao viver líder da equipe.

Os americanos ainda estão traumatizados com a crise de 2008 que deixou o mercado financeiro de cabeça para baixo. Mais uma prova disso é que, onze anos depois, Hollywood não deixa de investir em projetos sobre este período sombrio para a economia dos Estados Unidos.

"As Golpistas" traz uma trama inusitada (mas inspirada em uma história real) em que um grupo de strippers arma um plano para se dar bem em cima de seus clientes ricos de Wall Street. O filme estreia no Brasil na próxima quinta-feira (5).

Tudo é contado do ponto de vista de Destiny (Constance Wu, de "Podres de Ricos"), uma ex-stripper que narra sua saga para a repórter Elizabeth (Julia Stiles, de "10 coisas que odeio em você").

Ela relata como começou nessa vida, para ajudar a avó que a criou desde criança e como sua vida mudou após conhecer Ramona (Jennifer Lopez), a grande estrela da boate onde trabalha.

As duas se tornam amigas e, além de aprender alguns dos truques de Ramona para seduzir os homens, Destiny passa a ganhar mais dinheiro de seus clientes. Tudo vai bem até a crise.

Até que Ramona, cansada de se sentir abusada, resolve tirar o dinheiro dos homens, principalmente os corretores de Wall Street. Ela chama Destiny e suas colegas Mercedes (Keke Palmer) e Annabelle (Lili Reinhart) para aplicar um golpe. Elas drogam seus alvos e tiram o dinheiro deles por meio de seus cartões de crédito.

Desse jeito, as strippers conseguem sair do buraco em que se meteram. Só que a ambição toma conta do grupo e uma série de decisões erradas atrapalham tudo.

 

J-Lo empoderada

 

 
Jennifer Lopez e Constance Wu estrelam "As Golpistas" — Foto: Divulgação

Jennifer Lopez e Constance Wu estrelam "As Golpistas" — Foto: Divulgação

O destaque de "As Golpistas" é a surpreendente atuação de Jennifer Lopez como Ramona, desde já cotada ao Oscar. A atriz e cantora de 50 anos já impressiona em sua primeira cena, quando faz um número arrasador de pole dance.

O que chama mesmo a atenção é que, depois de uma série de papéis meia boca, a atriz sobressai ao construir uma personagem cheia de camadas e contradições. Em um momento, Ramona se mostra uma pessoa carismática e bem carinhosa, principalmente com suas amigas e família. Outra hora, ela se revela mesquinha e até impiedosa.

 
Lili Reinhart, Jennifer Lopez, Keke Palmer e Constance Wu estrelam "As Golpistas"  — Foto: Divulgação

Lili Reinhart, Jennifer Lopez, Keke Palmer e Constance Wu estrelam "As Golpistas" — Foto: Divulgação

 

Graças a esses contrastes, a stripper-chefe se torna tão interessante. Mesmo quando erra, nunca deixa de despertar a simpatia para o espectador, principalmente pelo fato de querer se empoderar diante da situação que vive. Mesmo de maneira meio torta.

 
Constance Wu vive a protagonista Destiny em "As Golpistas" — Foto: Divulgação

Constance Wu vive a protagonista Destiny em "As Golpistas" — Foto: Divulgação

 

Mas "As Golpistas" não tem só J-Lo, é claro. A protagonista Destiny é muito bem defendida por Constance Wu, em ótima sintonia com Lopez. Ela faz o público crer na amizade das duas, algo essencial para que o filme consiga funcionar.

Além disso, Wu consegue tornar sua personagem sempre interessante porque, à medida que acompanhamos sua trajetória, ela desperta o desejo de que o espectador torça para que ela consiga se dar bem no final. Não importa se ela toma decisões tão questionáveis.

 

Ligação com 'A Grande Aposta'

 

 
Lili Reinhart joga seu charme para cima de uma vítima em potencial em "As Golpistas" — Foto: Divulgação

Lili Reinhart joga seu charme para cima de uma vítima em potencial em "As Golpistas" — Foto: Divulgação

 

O que torna "As Golpistas" um filme bem feito é a boa direção da pouco conhecida Lorene Scafaria. Ela trabalha bem o roteiro escrito também escrito por ela, inspirado no artigo “The Hustlers at Scores”, de Jessica Pressler, publicado na New York Magazine.

A diretora trabalha muito bem a questão da amizade entre Destiny e Ramona, além de criar boas sequências dos momentos em que as strippers aplicam seus golpes. Você vai ver cenas tensas, mas outras são mais divertidas.

O único porém no trabalho da diretora-roteirista é nem sempre equilibrar bem o ritmo. Algumas cenas ficam um pouco mais arrastadas do que deveriam. Mas ainda assim o saldo é positivo para ela.

 

É possível ver "As Golpistas" quase um derivado de "A Grande Aposta", de 2015. Além de se passar na mesma época do filme de Adam McKay, ele descreve uma situação envolvendo strippers assim como a produção estrelada por Christian Bale. Outra coincidência é a presença do nome de Mckay entre os produtores, ao lado de J-Lo.

 

 
Constance Wu e Jennifer Lopez protagonizam o filme "As Golpistas" — Foto: Divulgação

Constance Wu e Jennifer Lopez protagonizam o filme "As Golpistas" — Foto: Divulgação

Trilha e participações pop

 

Outro acerto de "As Golpistas" está em sua trilha sonora. Ela mistura hits de cantores como Britney Spears, Janet Jackson, 50 Cent e Lorde (que ilustram muito bem os anos em que a história é ambientada) com obras clássicas de Chopin, tocadas no piano. O resultado pode parecer inusitado, mas funciona muito bem.

Ainda falando de música, há uma inusitada participação de Usher. Cardi B e Lizzo têm mais tempo de tela, interpretando strippers que trabalham com as protagonistas.

Com muita sensualidade e alguma esperteza, "As Golpistas" é feito para quem gosta de curtir histórias reais que, de tão inusitadas, mais parecem criadas por alguém de Hollywood.

Mas se engana quem pensa que o principal foco do filme está nas armações feitas por suas personagens. Na verdade, ele trata mais a questão da representatividade, da amizade e até onde podemos ir por ela. Algo bem mais profundo do que um espectador desavisado poderia imaginar.

- G1 - Por Célio Silva — Rio de Janeiro -  

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