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Bailarino filho de sem-terra volta após curso no Canadá: 'Quero aprender mais'

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Bailarino filho de sem-terra volta após curso no Canadá: 'Quero aprender mais'

Marcos Arantes desbancou outros 100 candidatos e conquistou a bolsa para frequentar as aulas em uma renomada escola de balé.

epois de passar um período de quase três meses estudando balé na renomada escola Bloch em Vancouver, no Canadá, o jovem Marcos Vinícius Arantes, de 20 anos, retornou ao país com várias lembranças e experiências na bagagem.

O bailarino, que viveu parte da infância em um assentamento rural de trabalhadores ligados a movimentos de sem-terra em Pederneiras (SP), conquistou a vaga para estudar na escola no exterior depois de desbancar outros 100 candidatos durante um festival de dança no interior de São Paulo.

 

"Viajar para o Canadá permitiu não só dançar, mas como conhecer a vida fora da minha realidade. Como explicar a mudança de um país pro outro? Eu sempre me identifiquei muito com a arte em geral e a dança sempre me chamou muito a atenção por ser divertida, sempre foi uma atividade prazerosa. Mesmo assim, eu passei por algumas situações difícieis na vida mas nunca pensei em desistir", relata Marcos.

 

O bailarino explica que nas semanas que passou na escola canadense, tinha uma rotina intensa de ensaios, que chegavam a três aulas de balé por dia.

"Ainda tinha os ensaios dos trabalhos para o fim do curso. Entrávamos a partir das 13h e as aulas iam até às 19h. Tudo era bem detalhado, passávamos e repassávamos os passos em salas com diferentes porfessores, pois se tratava de um espetáculo de encerramento de longa duração. Era uma forma muito minuciosa de trabalho", compartilha Marcos Arantes.

 
Marcos conta que os ensaios eram intensos na escola canadense  (Foto: Marcos Arantes / Arquivo pessoal )Marcos conta que os ensaios eram intensos na escola canadense (Foto: Marcos Arantes / Arquivo pessoal)
 

Superação

De um assentamento dos sem-terra para uma importante escola de baléDe um assentamento dos sem-terra para uma importante escola de balé

No começo de sua trajetória na dança, Marcos tinha que percorrer longas distâncias, várias vezes pé, para frequentar as aulas de teatro, em projetos sociais, antes de ingressar na Companhia Estável de Dança de Bauru.

"Tive meu primeiro contato com a dança ao começar a assistir grupos independentes de danças urbanas. Logo veio o desejo de participar. A paixão pelo balé clássico apareceu quando, em um dia de trabalho em uma empresa onde era registrado, um colega sugeriu que eu conhecesse a academia que ele frequentava e logo fiquei fascinado. Ofereceram uma oportunidade de aprender nessa academia até que tive meu primeiro contato profissional ao me inscrever e passar na Companhia Estável", conta.

No mesmo momento em que buscava a aceitação de toda a família, o que ocorreu aos poucos, o bailarino conta que ser selecionado para a companhia de dança de Bauru contribuiu também com seu amadurecimento. "Logo começaram as responsabilidades que mudaram mudo minha visão sobre a vida de um bailarino. Vi que dançar estava além de um passo".

Quando ele foi participar do evento de dança que o premiou com o curso, em Salto (SP), veio um dos principais desafios da carreira. "Estavam avaliando os bailarinos em aula, no comportamento e postura dentro das salas", relembra Marcos. Fazendo um balanço da experiência, o bailarino acredita que está ainda mais motivado.

 
Marcos e colegas se apresentaram em assentamento (Foto: Reprodução/TV TEM)Marcos e colegas se apresentaram em assentamento (Foto: Reprodução/TV TEM)

"Na vida passamos por certas frustrações, mas também existem presentes que são dados a nós a fim de nos proporcionar mais passos e caminhos. Antes de receber a notícia [do curso], passei por mudanças que tiveram impacto na minha trajetória na dança. Contudo, ao ouvir meu nome ser anunciado, eu me senti vivo e pronto", enumera.

Marcos completa que quer se dedicar ao máximo para agregar ainda mais seus conhecimentos artísticos e técnicos sobre o balé clássico.

 

"Continuo a trabalhar com o objetivo de realizar mais coisas e não deixar isso se perder. Quero aprender mais, ter experiências e ser qualificado o suficiente para um dia conseguir minha estabilidade artística. E sempre feliz".

 

 
Jovem viveu parte da infância e assentamento rural, onde os familiares ainda moram  (Foto: Reprodução/TV TEM)Jovem viveu parte da infância e assentamento rural, onde os familiares ainda moram (Foto: Reprodução/TV TEM)
 

De volta a Bauru, o jovem bailarino participa das apresentações da Companhia Estável de Dança neste sábado (2) e também no domingo (3), no Teatro Municipal com entrada gratuita.

- G1 Bauru e Maríia -  Por Tiago de Moraes* - *Sob a supervisão de Mariana Bonora, do G1 Bauru e Marília

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