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Brasil empata com Filipinas em nº de jornalistas mortos em 2018

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Brasil empata com Filipinas em nº de jornalistas mortos em 2018

Relatório “Killing the messenger” (Matando o mensageiro) foi divulgado pelo International News Safety Institute. No mundo, 73 profissionais foram mortos

Jefferson foi morto no ano passado -Reprodução/facebook.com/tvpontalina

O INSI (International News Safety Institute) divulgou um relatório “Killing the messenger” (Matando o mensageiro)  sobre as mortes de profissionais de mídia (jornalistas e auxiliares) durante o ano de 2018. Ao todo, 73 profissionais foram mortos enquanto trabalhavam.

No Brasil, três jornalistas foram assassinados no ano passado. Em dois casos, políticos foram os mandantes dos crimes.

O primeiro assassinato ocorreu na cidade de Edealina, no interior de Goiás. Jefferson Pureza Lopes foi morto com 3 tiros no rosto em 17 de janeiro de 2018, em casa. O vereador José Eduardo Alves da Silva (PR) é acusado de ser o mandante do crime. Ele e cinco acusados seguem presos.

Relembre outros atentados contra jornalistas e veículos no mundo

 

O radialista Jair de Sousa foi morto com dois tiros em 21 de junho de 2018. Ele estava chegando ao trabalho, na Rádio Pérola FM, em Bragança, no Pará. Em janeiro deste ano, o promotor Luiz da Silva Souza ofereceu denúncia contra 11 pessoas envolvidas no assassinato, entre elas, o vereador Cesar Monteiro Gongalves (PR), acusado de ser o mandante. O crime teria sido encomendando por R$ 30 mil.

Marlon de Carvalho Araújo foi assassinado em 16 de agosto de 2018. Ele foi morto a tiros, em casa, na cidade de Riachão do Jacuípe, na Bahia. O profissional era conhecido por postar vídeos nas redes sociais criticando autoridades locais. O caso ainda não foi solucionado, o que fez a diretoria-geral da UNESCO cobrar das autoridades brasileiras que prendam os culpados.

Para investigar mortes de profissionais no Brasil, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) criou o Projeto Tim Lopes.  Com apoio da Open Society Foundations, a iniciativa luta para combater a violência contra jornalistas e a impunidade dos responsáveis.

Divisor de águas

De acordo com o INSI, 2018 foi um “divisor de águas” para o jornalismo, já que a maioria das mortes (60), ocorreram em países que não estão em guerra. Mais repórteres morreram nos Estados Unidos do que em zonas de conflito em 2018.

O Afeganistão ocupa o primeiro lugar da lista, pelo 3º ano consecutivo, com maior número de profissionais de mídia mortos. Ao todo, 13 vítimas. Em seguida, aparece o México, com 9, e os Estados Unidos, com 7. Iêmen e Somália têm 6 mortes cada um e a Síria registrou cinco.

Brasil está no mesmo lugar que Equador, Filipinas e Rússia, com 3 mortes cada. Logo depois, segue Israel e Paquistão, com duas mortes. Nicarágua, Zâmbia, Lívia, Eslováquia e Arábia Saudita registraram uma morte.

Além das mortes, o instituto afirmou que 2018 foi um ano “tóxico” para os jornalistas, por fatos em que profissionais foram hostilizados pelo público geral e por chefes de Estados, como Donald Trump. Hannah Storm, diretora do INSI desde 2010, afirmou que “toda morte de jornalista é uma tragédia”.

“Sem a garantia de segurança da imprensa, não é possível garantir a liberdade”, afirmou.

Ainda segundo o relatório, os jornalistas mortos estavam investigando temas como corrupção (11 vítimas), crimes (8 vítimas), política (5 mortes), drogas (5 vítimas) e acidentes (3 vítimas).

Ataques

Cinco profissionais de mídia foram mortos em 28 de junho de 2018, na sede do jornal Capital Gazette na cidade de Annapolis, em Maryland (EUA). O ataque foi relatado ao vivo por alguns repórteres pelas redes sociais. O atirador, que foi preso, processou o jornal em 2012, por causa de uma reportagem a respeito de um processo no ano anterior, no qual ele se declarou culpado por perseguir uma antiga colega de classe durante meses.

Já em 2 de outubro, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, foi morto após entrar no consulado de seu país em Istambul, na Turquia. Khashoggi, ex-editor de jornal na Arábia Saudita e consultor do ex-chefe de inteligência, deixou o país no ano passado dizendo temer uma retaliação por suas crescentes críticas à política saudita na guerra do Iêmen e à repressão às divergências.

- Thais Skodowski, do R7 -

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