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Brasil precisa de solidariedade para superar epidemia, diz pesquisadora

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Brasil precisa de solidariedade para superar epidemia, diz pesquisadora

Margareth Dalcolmo, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, fala sobre importância de reconhecer epidemia e das medidas contra o avanço dela

FOTO: Médica diz que não pode haver duas epidemias: do vírus e do medo - Antonio Lacerda/EFE

 

Os brasileiros precisarão deixar de pensar no individual e pensar no coletivo para enfrentar a epidemia do novo coronavírus no país. A avaliação é da pesquisadora e professora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), a médica pneumologista Margareth Dalcolmo.

Segundo a especialista, a população deve se conscientizar de que há pessoas mais vulneráveis do que outras a terem complicações se contraírem o vírus: idosos, doentes crônicos e imunossuprimidos.

"A ciência exige de nós neste momento trabalhar de acordo com a solidariedade e pensar no coletivo. Não vamos controlar essa epidemia se não pensarmos no coletivo. É comprar comida para o vizinho idoso que mora sozinho e não pode sair de casa", afirma em entrevista ao R7.
 

"Foram gastos todos os kits disponíveis na rede privada e já não tem mais disponíveis, porque foram feitos testes desnecessariamente. Se tiver sintomas leves, tem de ficar em casa e tratar como uma gripe normal", orienta.

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Apenas devem procurar as emergências de hospitais pessoas que tenham febre recorrente por mais de 48 horas e, principalmente, falta de ar ou dificuldade para respirar, e extremidades do corpo roxas, o que indica a falta de oxigenação do sangue.

A pesquisadora também critica a compra injustificada por pessoas de equipamentos de proteção individuais, como máscaras e luvas.

"Pessoas foram às lojas e fizeram estoques de máscara, de luvas... quando esses equipamentos de proteção individual são fundamentais para os profissionais de saúde. Não é possível. Uma instituição geriátrica me telefonou hoje e eles não acham para comprar em lugar nenhum." 

As praias lotadas no Rio de Janeiro no último fim de semana também chamaram atenção da pesquisadora. 

"Não é possível que olhemos a quantidade de gente na praia achando que porque está ao ar livre não vai se contaminar. Deveria haver interdição de festas. Ninguém deve frequentar locais cheios de gente.

Margareth ressalta a importância de reconhecer a existência da epidemia para adotar medidas que, apesar do prejuízo individual e econômico, mostraram-se eficazes no combate ao avanço da epidemia ao redor do mundo.

"Eu acho que é nosso dever deixar bem claro que as pessoas têm que entender que estamos diante de uma situação nova para nós médicos e para a sociedade civil. É uma epidemia de fácil progressão, uma doença nova de transmissão fácil e geométrica. É preciso que as pessoas entendam que esse SARS-CoV2 se transmite muito facilmente. Uma pessoa transmite para duas, que transmitem para quatro, que transmitem para 16... isso exige um reconhecimento. É fato, isso já aconteceu em outros países." 

Margareth aponta como corretas as medidas de países que restringiram deslocamentos e até mesmo a saída das pessoas de casa. "Nós interromperemos a cadeia de transmissão se fizermos o isolamento social recomendado. As medidas adotadas na Itália e na Espanha são exemplares."

Nesta segunda-feira (16), a União Europeia determinou a proibição da entrada de pessoas a por um período de 30 dias, mesma medida adotada pelos Estados Unidos em relação a viajantes procedentes da Europa.

Além disso, diversos estados norte-americanos estão determinando o fechamento de escolas, restaurantes, cinemas, teatros e outros locais de serviços e comércios considerados não essenciais. A França também tomou uma decisão neste sentido no fim de semana.

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou o fechamento de escolas, museus, bibliotecas e centros de convivência de idosos, além do trabalho remoto para funcionários públicos acima de 60 anos. Eventos com mais de 500 pessoas estão proibidos.

A capital paulista deve ser, na avaliação do Ministério da Saúde, o local com maior disseminação do coronavírus. O estado já é o que registra o maior número de casos no país.

"Os desafios em São Paulo são enormes. Se você imaginar que a cidade que foi o epicentro [da epidemia, Wuhan [na China], tem cerca de 11 milhões de habitantes, é metade do tamanho [da região metropolitana] de São Paulo. Então, o desafio é o dobro. Ainda não conseguimos tomar medidas tão extremas quanto a China. A vantagem é que existe uma organização nos serviços de saúde, uma integração hierárquica dos serviços, e o governo tem conduzido a situação com extremo rigor", afirma a pesquisadora.

Um estudo divulgado nesta segunda-feira mostra que 86% dos casos de infecção por coronavírus ocorridos na China antes do isolamento de várias cidades não foram reportados.

A pesquisadora da Fiocruz concorda que a maioria dos doentes no Brasil não será contabilizada, justamente porque os sintomas são leves. "Possivelmente, esses 200 casos, que são oficialmente relatados, são muito mais".

No entanto, não há motivo para pânico, enfatiza Margareth.

"O que é novo se caracteriza por ser desafiador e causar medo. Tudo o que é novo causa medo, mas não podemos alimentar isso, ter uma dupla epidemia do vírus e do medo. Podemos controlar ambas com racionalidade."

- Fernando Mellis, do R7, e Christina Lemos, da Record TV -  

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