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‘Cãodulas’ brilham em torneio internacional de tênis em São Paulo

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‘Cãodulas’ brilham em torneio internacional de tênis em São Paulo

Brasil Open, disputado no Pinheiros, contou com seis cachorros atuando como pegadores de bola; animais, resgatados por ONGs, estão disponíveis para adoção

As placas espalhadas por toda a extensão do clube Pinheiros, em São Paulo, avisam: “O tênis exige silêncio”. Porém, era quase impossível seguir essa regra depois que os gandulas de quatro patas entraram em quadra durante o Brasil Open, torneio internacional de tênis disputado na semana passada.

Quando as bolinhas batiam na rede e quicavam no chão, os cães sabiam que esse era o sinal verde para o avanço. A emoção do público era nítida. Com seus celulares em mãos prontos para fotos e vídeos, a plateia vibrava a cada bola abocanhada, aplaudiam a cada bola devolvida e ficavam eufóricos a cada drible dado nos tenistas profissionais.

A médica Maita Araújo, 41, levou a mãe, Pola Araújo, 75, especialmente para ver os “cãodulas”, como são chamados. Ambas são apaixonadas por cachorros e garantem que nunca compraram um na vida. “Nós temos quatro cachorros em casa, todos adotados de ONGs. Ficamos sabendo do programa no ano passado, depois que viemos ver o campeonato de tênis, e nos apaixonamos. Este ano viemos especialmente para vê-los. O nosso próximo cachorro com certeza será um cãodula.”

A ideia da ação teve inicio a partir de um vídeo publicado pela tenista norte-americana Venus Williams, em que ela leva sua cachorra para os treinos e a cadela começa a pegar todas as bolas que sua dona deixa escapar. Com o objetivo de despertar a atenção das pessoas para a causa da adoção de cachorros abandonados, a marca de rações PremieR pet decidiu juntar ONGs cadastradas que ela auxilia em um torneio mundialmente conhecido, com cães que adoram brincar de bolinhas.

‘Cãodulas’ brilham em torneio internacional de tênis em São PauloOrganizadores do Torneio ATP brincam com CãoDula, um dos cães treinados para buscar a bola de tênis durante partidas (Ricardo Matsukawa/VEJA.com)

“Queríamos tocar o coração das pessoas de uma forma alegre, inovadora, sem retratar o passado ruim desses cães. Despertar aquela simples dúvida: por que não adotar um cachorro abandonado? Observando a reação do público, acho que conseguimos alcançar o nosso objetivo” afirmou Madalena Spinazzola, diretora de marketing corporativo e planejamento estratégico da marca.

Neste ano, duas ONGs do interior de São Paulo foram selecionadas – o Projeto Segunda Chance, em Sorocaba, e a ONG Cão Sem Dono, em Itapecerica da Serra. Juntas, elas possuem mais de 570 cães encontrados nas ruas e resgatados de maus-tratos. Apenas seis cachorros foram escolhidos para o evento, três de cada organização. O processo seletivo é simples: cachorros que são apaixonados por bolinhas. “Não houve um treinamento específico. Para eles, isso não passa de uma brincadeira, eles amam buscar bolas”, afirma a fundadora da ONG Projeto Segunda Chance, Maria Cecília, enquanto brinca com os cachorros.

Pretinha, 8 anos, Cindy, 10, e Dexter, 2, são da Segunda Chance, enquanto Arlete, 7, Ovelha, 4, e Jully,8, são da Cão Sem Dono. Os cachorros tiveram em torno de quatro meses de preparo desde o dia em que as ONGs descobriram que participariam da ação.

Os 'cãodulas' do Brasil Open

‘Cãodulas’ brilham em torneio internacional de tênis em São PauloCampanha da marca de rações Premier PET, em conjunto com as ONGs Cão Sem Dono e Segunda Chance, transforma cães de rua em gandulas para torneios de tênis, os CãoDulas (Ricardo Matsukawa/VEJA.com)

Estrela

A estrela do torneio foi a cadela Pretinha. Ao sair da quadra, o público gritava por seu nome. Havia mais pessoas esperando os cachorros do que os próprios jogadores profissionais. No caminho para a área de descanso, as pessoas perguntavam se podiam tirar fotos e jogavam bolinhas para estimular uma pequena demonstração dos cães. No estande da marca, Pretinha foi a cachorra que mais chamou atenção para uma possível adoção. A cadela foi resgatada em 2009, em uma empresa multinacional ao lado da Rodovia dos Imigrantes, na divisa entre Diadema e São Bernardo do Campo, quando ainda era um bebê, com outros 18 cachorros.

Além disso, Pretinha foi a protagonista do momento mais engraçado dessa edição – em sua estreia na quadra, no bate-bola com os tenistas João Zwestch, capitão da Copa Davis, e o brasileiro semifinalista de duplas, Marcelo Demoliner, a cachorra fez suas necessidades fisiológicas. A plateia achou graça e aplaudiu.

Agora é que o trabalho árduo realmente começa. Fora os seis cachorros participantes, outros 564 esperam para ser adotados. “Vale lembrar que não é só porque eles estão nessas ONGs, recebendo o maior amor possível, que não precisam de uma família. Arrumar uma família para eles é a nossa missão” explica Vicente Delfino Neto, diretor da ONG Cão sem Dono. As ONGs afirmaram que, após o torneio, não houve procura na busca por adoção, mas houve aumento nos pedidos de resgate.

Para maiores informações ou adotar um dos cães, basta mandar um e-mail para o faleconosco@caosemdono.com.br ou contato@projetosegundachance.org.br e falar com os responsáveis. O adotante precisa preencher um formulário, participar de uma entrevista presencial e assinar um termo de responsabilidade.

VEJA.com Por Eduardo F. Filho

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