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Caso José Mayer: o poder de uma camiseta

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Caso José Mayer: o poder de uma camiseta

Desdobramentos do assédio sexual mostram como a peça de roupa tem o poder de tornar as pessoas iguais, pelo menos esteticamente

A apresentadora Cissa Guimarães e a equipe de produção Foto: Instagram @cissaguimaraes

As mulheres – sejam elas atrizes, apresentadoras, jornalistas- se uniram no movimento “Mexeu com uma, mexeu com todas” com um objetivo muito claro e legítimo: apoiar Susllem Meneguzzi Tonani que denunciou o ator José Mayer por assédio. A motivação é irrefutável. A jornalista Nana Soares, que também tem um blog Estadão, falou de maneira muito pertinente sobre o caso considerando os direitos femininos em seu post ‘Juliana Paes, Victor e Zé Mayer: o machismo em todas suas frentes’.

As questões sociais envolvidas nessa violência são os aspectos mais importantes dessa notícia e em nenhum momento devemos perder isso de vista. No entanto, (agora que já discutimos os desdobramentos das atitudes de Mayer) essa militância também pode nos servir como uma lição sobre moda. Vale lembrar que moda não é apenas consumo. Moda também é compreender o comportamento pessoal e social.

O apoio à Su Tonani após a denúncia contra José Mayer mostra o quão poderosa pode ser uma camiseta. A causa tinha força de sobra para por si só unir as pessoas, mas a camiseta foi o meio de comunicação perfeito, pois a peça de roupa tem o poder de, esteticamente, tornar as pessoas iguais. Para esse movimento era fundamental escancarar que a apresentadora Cissa Guimarães, a atriz Nathalia Dill e a figurinista Su Tonani tinham os mesmos direitos de serem ouvidas e respeitadas. É com essa mesma função – homogeneizar – que a camiseta faz parte dos uniformes escolares e por isso mesmo que causa tanto desconforto nos adolescentes que estão buscando ter sua identidade reconhecida.

Quem usa uma camiseta com frase ganha voz mesmo sem ter que falar nada. A mensagem está ali para todos lerem mesmo quando se trata de um tema espinhoso. Mas essa não é a primeira vez que a peça é usada como forma de expressão. Sejam com inscrições mais ingênuas, como “love, love, love”, ou com frases mais politizadas a peça já está consolidada como uma plataforma social do guarda-roupa moderno.

Nos anos 80, as camisetas com frases, como “Education. Not missilles” (educação. Não mísseis) da estilista inglesa Katharine Hamnett conquistaram muitos adeptos.

Mais recentemente, em setembro do ano passado, a estilista Maria Grazia Chiuri resgatou em seu primeiro desfile pela Dior em Paris o simbolismo da peça. “We should All be feminists” trazia uma camiseta branca da coleção da primeira mulher a comandar a grife italiana em 70 anos.

Ao levar para a passarela a frase da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, Maria Grazia provou que não basta mais estar na moda. É preciso estar engajado. E outros estilistas repetiram o feito nas semanas de moda seguintes. O designer Prabal Gurung levou para a passarela de Nova York, em fevereiro, frases como “We’ll Not Be Silenced”, “I’m an Immigrant” e “The Future is Female”.

- ESTADÃO - Por Gabriela Marçal

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