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Cerveja de milho e Heineken: por que a Ambev sofrerá para se recuperar

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Cerveja de milho e Heineken: por que a Ambev sofrerá para se recuperar

A Ambev corre para se adaptar ao novo cenário, com foco em marcas premium, mas com a concorrência mais acirrada pode ter dificuldades para recuperar espaço

São Paulo — A Ambev já não é mais o modelo de eficiência a toda prova que era há cinco anos. Ainda que a fabricante de cervejas tenha cerca de 60% do mercado brasileiro, o setor mudou completamente. Cervejarias artesanais e brewpubs, além da grande concorrente Heineken, têm ganhado mercado e a preferência dos consumidores. 

A companhia está correndo para se adaptar ao novo cenário, com foco em cervejas premium, mas com a concorrência mais acirrada pode ter dificuldades para repassar margens e recuperar resultados. É o que diz um relatório da casa de análise Nord Research, assinado pelo sócio-fundador Bruce Barbosa.

“A Ambev está exposta, com uma participação de mercado mais que relevante. Mesmo com o crescimento econômico, a Ambev terá problemas para crescer. O consumidor quer mais variedade, não quer mais suco de milho”, diz o relatório. A Heineken, assim como outras cervejarias, também usa cereais não malteados em algumas de suas marcas, como a Schin, por exemplo. Mas a força de sua marca principal é a maior ameaça à dona de Skol, Brahma e Stella Artois. 

Se nos últimos 10 anos o valor de mercado da Ambev cresceu 302% e o Ibovespa, 70%, nos últimos cinco anos o Ibovespa cresceu 140%, enquanto a Ambev subiu apenas 31%.

Mais variedade e qualidade

A variedade de opções de cervejas, estilos e preços é uma característica de mercados desenvolvidos, explica o relatório, como República Tcheca, Alemanha, e Áustria. Já o Brasil está no meio de seu ciclo de desenvolvimento do setor. 

Um dos desafios atuais da Ambev é ampliar o seu portfólio para marcas mais premium e de melhor qualidade. A rejeição dos consumidores da cerveja com adição de milho, o que acontece no caso de algumas linhas populares da companhia, abriu espaço para outras variedades, como as cervejas de puro malte. “A Ambev focou mais nos custos que na qualidade e abriu espaço para a entrada da competição”, diz o documento.

De alguns anos para cá, a Ambev trouxe para o seu portfólio marcas como Corona e Colorado e expandiu suas marcas globais. No terceiro trimestre do ano, a companhia disse que o segmento premium apresentou crescimento de dois dígitos.

Recentemente, a Ambev tem ampliado a abertura de bares voltados para cervejas especiais. A mais recente empreitada são os bares Vista Corona, voltados para a cerveja Corona. Existem ainda os bares da Goose Island e da Heogaarden, além da rede de franquias o Bar do Urso, voltada à cerveja Colorado.

Margens mais apertadas

A empresa não perde apenas espaço de mercado. Sua margem também caiu nos últimos cinco anos, de 47,5% em 2015, para 38,7% nos nove primeiros meses de 2019.

Isso porque cerca de metade dos custos para fabricar uma cerveja são dolarizados e, desde 2015, o dólar saiu de R$ 2,6 para R$ 4,10. Além disso, com a concorrência maior, a empresa perde capacidade de repassar os preços ao consumidor.

A expectativa do mercado, compilada pela Bloomberg, é de um crescimento de 8% no Ebitda e de 10% no lucro para 2020. Em 2019, a receita líquida cresceu 7,4% nos três primeiros trimestres, enquanto o lucro líquido aumentou 1,1% no mesmo período. A margem bruta foi de 58,4% nos nove primeiros meses do ano, ante 61,4% no mesmo período do ano anterior.

De acordo com o relatório, o mercado não está muito otimista com a Ambev e há outras empresas com ações mais baratas e com maior potencial de crescer — e não só no mercado de bens de consumo.

- EXAME - Por Karin Salomão

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