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De meditação a regime em pó, onze técnicas em alta para emagrecer

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De meditação a regime em pó, onze técnicas em alta para emagrecer

Conheça as principais novidades em dietas para quem pretende perder (e nunca mais achar) os quilos extras

Não tem mais desculpa. Passaram o Natal, o réveillon, o Carnaval. Se emagrecer era uma de suas metas para o ano-novo, a hora é agora. A procura na cidade por profissionais especializados em dieta costuma dobrar nos primeiros meses do ano. “Se em dezembro as reuniões esvaziam, em janeiro e fevereiro precisamos procurar cadeiras extras para comportar novos membros”, diz Carolina Menescal, gerente de marketing do grupo Vigilantes do Peso.

A necessidade de eliminar quilos atinge mais da metade dos paulistanos. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), 53% dos moradores da capital vivem com excesso de peso e em torno de 20% entraram na obesidade, expondo a saúde a uma série de riscos, como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. “Mais de 70% do público que faz dieta foca a questão estética, não a saúde, e isso é um grande erro”, afirma Durval Ribas Filho, presidente da Abran.

Outra estatística desanimadora: 98% das pessoas que encaram um regime voltam a recuperar os quilos perdidos um ano e meio após o fim do processo. Pior, boa parte vê o ponteiro da balança disparar e bater recordes cinco anos depois. Isso ocorre porque o excesso de quilos desregula o hipotálamo, área do cérebro que comanda alguns hormônios e o apetite. “A obesidade é uma doença crônica, e o paciente vai precisar cuidar da alimentação pelo resto da vida”, diz Ribas Filho.

Trata-se mesmo de uma jornada difícil, mas é possível vencer o desafio. Para darem uma força, a cada ano surgem novas filosofias de alimentação, tecnologias, remédios, sem contar as inovações nas academias. Vale dizer: não existe milagre. “Quem faz acompanhamento com um profissional, pratica exercícios regularmente e toma consciência da importância da alimentação consegue se manter bem fisicamente e saudável”, diz Maria Edna de Melo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

A seguir, as principais tendências da vez para enfim alcançar seus objetivos e manter a forma nos próximos anos.

‘Low carb’ para a vida

Os corpos enxutos e musculosos de beldades como Juliana Paes, Paolla Oliveira e Sabrina Sato colocaram a dieta low carb nas manchetes nos últimos tempos. “Foi o plano alimentar de 2017 e certamente seguirá em alta por muito tempo”, acredita a nutricionista Fernanda Scheer, health coach pelo Institute for Integrative Nutrition de Nova York. Seus adeptos o tratam, mais do que como um regime passageiro, como um estilo para seguir a vida inteira.

Priscila: 18 quilos a menos  (Leo Martins/Veja SP)
 

A base consiste em limitar bastante o consumo de carboidratos, entre 20 e 150 gramas por dia. Um copo de suco de laranja com seus 21,50 gramas de carboidrato, por exemplo, pode estourar uma meta. Para compensar, a turma aumenta a ingestão de gorduras boas, a exemplo de castanhas e ovos. Muita gente ainda complementa o programa com o jejum intermitente. Duas vezes por semana, o praticante janta e só volta a comer dezesseis horas depois, na hora do almoço.

“Há uma série de benefícios no jejum”, explica Fernanda. “Por exemplo, ele reduz os níveis do hormônio IGF-1, ligado ao envelhecimento precoce, e por isso aumenta a longevidade.”

No último ano, a empresária Priscila Bernal, de 38 anos, enxugou 18 quilos e diminuiu 9% de sua gordura graças à low carb. “Ganhei mais disposição e o corpo que sempre quis”, comemora a mãe de dois filhos. Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), alerta: “Se tiver acompanhamento, a prática é eficiente, mas estudos comprovam que não há necessidade de reduzir o consumo de carboidrato a menos de 50 gramas por dia”.

Mente saciada 

Uma vez por mês, a atriz Bella Carrijo, de 35 anos, visita, no Alto da Lapa, o consultório da nutricionista Vanderli Marchiori, especialista em mindful eating, corrente que prega a atenção plena no momento da alimentação. A paciente checa sua saúde por meio de vários exames e encara a balança para ver se mantém seu peso ideal (56 quilos). Vanderli pergunta sobre as emoções da cliente e, no fim, conduz uma meditação de dez minutos. “A consulta parece uma terapia”, comenta Bella. “O mindful eating foca a causa dos distúrbios alimentares”, explica a profissional.

O conceito deriva do mindfulness, criado pelo cientista americano Jon Kabat-Zinn nos anos 70, que propõe a atenção plena. Algumas regras: nada de comer em frente à TV ou de olho no celular; uma refeição deve durar no mínimo quinze minutos; e o interessado precisa estar consciente dos nutrientes em seu prato. Os pacientes também são incentivados a praticar dez minutos diários de meditação em casa, para aplacar a ansiedade. “Não há alimentos proibidos, desde que o consumo seja equilibrado”, diz Vanderli.

Ela é uma entre os aproximadamente vinte profissionais da cidade credenciados pelo Centro Paulista de Mindfulness (spmindfulness.com.br), com unidades na Vila Mariana e em Pinheiros. A entidade oferece workshops para compulsivos aprenderem a manter o controle. São vinte horas de aulas, que custam na faixa dos 1 400 reais. “Existem poucos estudos sobre esse método, mas, ao tratar a fonte do problema, ele pode se mostrar eficaz”, analisa Maria Edna de Melo, presidente da Abeso.

Aplicativo vigilante 

Santos: fuga da bariátrica (Leo Martins/Veja SP)
 

Em novembro, o analista de informática Eduardo dos Santos, de 40 anos, foi barrado na porta da filial de sua empresa. Seus colegas não o reconheceram. “Da última vez em que estive lá, há dois anos, pesava 146 quilos”, lembra Santos. “Era outra pessoa.” Hoje, ele vê a balança apontar 90 quilos. Para fugir da cirurgia bariátrica, fez um tratamento em 2015 com um endocrinologista e, em julho do ano passado, já pesava 110 quilos. Passou, então, a ir às reuniões do Vigilantes do Peso. Adotou também o aplicativo do coletivo, lançado em setembro. Por ali, monitora sua alimentação. “Facilitou muito minha vida”, comemora.

Nos primeiros três meses, o programa contabilizou cerca de 12 500 usuários (mais de 2 000 na capital). Ele mostra as propriedades de diversos tipos
de alimento, analisa os gastos calóricos de atividades físicas e conecta as pessoas em uma espécie de Instagram próprio. O Vigilantes traz dois pacotes: só on-line (a partir de 49,90 reais mensais no plano semestral) e o completo, com direito a encontros semanais em grupo (a partir de 114,90 reais por mês no plano semestral). É preciso mostrar disciplina para contar as calorias diariamente. Em tempo: o programa foi criado por médicos, mas não há acompanhamento profissional durante o projeto.

Regime em pó

O cantor sertanejo Luciano Camargo, o lutador Anderson Silva, a it girl Sasha, filha de Xuxa, e a atriz Claudia Raia são algumas celebridades adeptas do método Pronokal. A dieta nasceu em 2004, na Espanha, mas só em novembro a empresa abriu seu primeiro espaço no Brasil, nos Jardins. Na capital, há 250 médicos capacitados pela companhia que podem prescrever as refeições em sachês, vendidas apenas com receita na filial da Pronokal ou por meio dos próprios profissionais cadastrados.

O cantor Luciano: embaixador dos sachês (Leo Martins/Veja SP)
 

A base do pó branco traz proteína de soja, ervilha, leite, ovo e arroz. “Apelidei de dieta da Nasa, porque esse produto se transforma em tudo, dependendo da mistura: suco, iogurte, omelete, musse, nugget…”, define Luciano. Antes vítima do efeito sanfona, o artista se tornou uma espécie de garoto-propaganda da marca após enxugar 7 quilos em um mês e conseguir manter o peso atual, de 59 quilos divididos em 1,64 metro, há pelo menos dois anos.

O regime pesa no bolso: cada saquinho/refeição custa 24 reais — dá para gastar até 110 reais por dia. Em compensação, a promessa é perder até 10 quilos no primeiro mês. O cardápio passa por três etapas. Na primeira, a pessoa come no máximo 800 calorias por dia (40% do indicado pela Organização Mundial da Saúde) e praticamente elimina os carboidratos. Ou seja, nada de arroz, massa, batata…

“O paciente segue nesse regime até atingir 80% da meta estipulada”, explica Adriana Morétti, treinadora da Pronokal no Brasil e especialista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Os outros 20% são eliminados na segunda fase, quando se reintroduzem, aos poucos, os alimentos proibidos. A última etapa é a da manutenção, na qual se consome em média um sachê por dia. Entretanto, por ser uma dieta muito restritiva e cara, é tarefa árdua se manter nela.

Apoio no Facebook

Com o avanço das redes sociais, quem recorre ao Facebook tem acesso a um cardápio farto de páginas e grupos sobre dietas. Uma das comunidades mais numerosas, a Donas do Corpo Fit, com quase 700 000 membros, foi criada em 2015 pela personal trainer e campeã de fisiculturismo Valéria Albuquerque. Reúne mulheres que compartilham seus cardápios, treinos na academia e principalmente cliques do “antes e depois”. Pelo menos duas vezes por semestre, a moderadora lança concursos. Alguns são gratuitos, a exemplo da disputa “bumbum e barriga sarados”. O principal, porém, consiste no “desafio oito semanas”.

Por 40 reais, as participantes entram em um espaço privado on-line e recebem cardápio e guia de exercícios, orientados por Valéria. A vencedora ganha uma viagem de uma semana com a líder para a Malásia. “O apoio mútuo no grupo incentiva bastante, mas só isso não garante a saúde de ninguém”, diz Durval Ribas Filho, presidente da Abran. “É preciso acompanhamento profissional individual.”

Com gloss, sem fome

Laila: cosmético para perder peso (Leo Martins/Veja SP)
 

Que tal apostar em gloss, spray ou, melhor ainda, chocolate para emagrecer? Novidade nas farmácias de manipulação, substâncias que ajudam na inibição de apetite agora podem ser consumidas não só na forma de pílula, mas também misturadas a doces ou cosméticos. Dois exemplos são o 5HTP (que contribui para a produção de serotonina, responsável pelo bem-estar) e o gymnema (capaz de controlar a compulsão por doces).

O preço dos produtos, que precisam de receita médica e costumam durar um mês, varia de 40 a 80 reais. “Dieta e exercícios físicos são inquestionáveis, mas esses itens tornam o processo mais saboroso”, diz a nutricionista Alyne Santim, capacitada pelo Hospital das Clínicas.  Profissionais da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) também aprovam.

Em tratamento desde setembro, a coach Laila Coelho, de 28 anos, perdeu 5 quilos com a ajuda do gloss e de reeducação alimentar. “Funciona bem antes de encarar festas”, garante.

Pílulas e mais pílulas 

A anfepramona voltou ao mercado no primeiro semestre de 2017, após seis anos de proibição pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por oferecer riscos cardiovasculares. “Ela só causa problema em casos de má administração”, garante Maria Edna de Melo, presidente da Abeso. A substância age no cérebro e inibe o apetite. Medicamento semelhante é a lorcaserina, que deve chegar por aqui em breve com o nome comercial de Belviq.

Outra opção é a associação de naltrexona (para a dependência de álcool) com bupropiona (para a depressão), mistura manipulada já disponível, que combate a compulsão alimentar. Para quem escolhe o caminho das pílulas, o acompanhamento médico é essencial, pois elas podem provocar dependência e outros efeitos colaterais.

Injeção para “secar”

Patrícia: a agulhada que é uma facada (Leo Martins/Veja SP)
 

A Saxenda ficou famosa no tratamento de pessoas bem acima do peso, com problemas como pré-diabetes ou hipertensão. A injeção é à base de liraglutida, uma substância que age no hipotálamo, área do cérebro reguladora da fome. Ela reduz ainda os níveis de açúcar no sangue. “Não é milagre: o paciente precisa também comer melhor e fazer exercícios”, alerta a médica Esthela Conde, pós-graduada em medicina integrativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Há um ano a empresária Patrícia Souza, de 45 anos, aplica-se diariamente uma dose na barriga. Adotou uma dieta low carb, vai à academia regularmente e viu na balança o peso despencar de 84 para 70 quilos. “Saí do sobrepeso e, em breve, quero parar de arcar com esse custo”, diz. O preço da agulhada está mais para uma facada. Ela custa em média 700 reais e dura um mês. É vendida sem receita em farmácias, mas demanda acompanhamento médico.

De olho nas metas 

Karen e Liliane: coach para não sair da linha (Leo Martins/Veja SP)
 

A coroa de Miss São Paulo pesou para a modelo Karen Porfiro, de 26 anos. Assim que levou o prêmio, em março do ano passado, a moça sentiu a pressão do concurso nacional e começou a sofrer crises de ansiedade. “Quando estou nervosa, ataco guloseimas de chocolate”, conta. Ela procurou Liliane Oppermann, nutróloga e master em programação neurolinguística pela Sociedade Brasileira de PNL. Já em forma, com 61 quilos e 1,74 metro de altura, perdeu 3 quilos em seis meses e ganhou massa muscular.

Além de prescrever tratamentos, a médica atua como coach: analisa a personalidade do paciente e estipula metas para que ele transforme seu estilo de vida. Em média, são dez sessões semanais com uma hora de duração. “As pessoas devem ter consciência de que são totalmente responsáveis pelo corpo, pela saúde e pela aparência, se não vivenciam para sempre o efeito sanfona”, afirma Liliane.

O valor da consulta com coaches de emagrecimento varia de 500 a 2 500 reais. “Como o profissional trata a causa da compulsão alimentar, o método costuma ser eficaz”, acredita o presidente da Abran.

Afine-se no WhatsApp

Quase cinquenta clínicas de estética da cidade adotaram ao longo de 2017 o Afine-se, programa com duração de dois a quatro meses. Uma vez por semana, o paciente vai ao consultório e fala com uma nutricionista (que prescreve dieta de reeducação alimentar) e faz uma massagem modeladora.

“Outro diferencial é o WhatsApp”, diz a esteticista Mari De Chiara, uma das criadoras da iniciativa. Pelo aplicativo, profissionais passam cardápios e treinos e tiram dúvidas 24 horas por dia em grupos de quinze participantes. Dá para eliminar até 17 quilos em três meses. O custo do pacote oscila de 3 000 a 6 500 reais. “O paciente precisará seguir o processo para não recuperar o peso perdido”, alerta o presidente da Abran.

- VEJA São Paulo - Por Ana Carolina Soares

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