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Depressão acelera envelhecimento cerebral, comprova estudo

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Depressão acelera envelhecimento cerebral, comprova estudo

As conexões cerebrais começam a diminuir 10 anos mais cedo em indivíduos diagnosticados com depressão

A depressão acelera o envelhecimento cerebral, comprova um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos. A doença já era considerada um fator de risco para o desenvolvimento de Alzheimer e já havia sido associada a diversos problemas, como aumento do risco de dor de cabeça, dor muscular e alterações no sono. Agora, a ciência conseguiu mostrar evidências consistentes de danos cerebrais causados pela depressão.

A nova pesquisa, apresentada na quinta-feira, 14, na Conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência, realizada em Washington, nos Estados Unidos, mostrou que as conexões cerebrais começam a diminuir dez anos mais cedo em indivíduos diagnosticados com depressão. Ou seja, o declínio cognitivo começa a partir dos 40 anos e não aos 50 anos. Essa característica aumenta o risco de perda de memória, desaceleração da fala e até mesmo o desenvolvimento precoce de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer.

Análise inovadora

Para chegar a esta conclusão, a equipe da Universidade Yale aplicou exames de imagem cerebral em dez participantes diagnosticados com depressão crônica (com idade média de 40 anos) e um grupo de controle – sem depressão -, com idade média de 36 anos. A técnica escolhida foi o PET Scam, que utiliza marcadores radioativos para analisar substâncias específicas. Nesse caso, a densidade sináptica. Ou seja, a quantidade e o local das sinapses no cérebro.

Antes da criação de um marcador específico, a única forma de fazer essa observação era através da autópsia do cérebro, o que dificultava o entendimento de como a densidade sináptica poderia afetar a saúde mental do indivíduo.

Os resultados mostraram que a densidade sináptica foi de 2% a 3% menor nos indivíduos depressivos. “Quanto mais baixa for a densidade, mais severos são os sintomas de depressão, particularmente problemas de atenção e perda de interesse em atividades que antes eram consideradas prazerosas”, comentou Irina Esterlis, principal autora do estudo, durante reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

A densidade sináptica é importante porque sinapses são como pequenas pontes, utilizadas pelas células nervosas para passar seus impulsos para a outras células e assim transmitir informações para outras regiões cerebrais e do corpo. A perda de sinapses é um fenômeno normal do envelhecimento. Entretanto, isso também está associado ao desenvolvimento de distúrbios neurológicos, como o Alzheimer, em pessoas entre 74 e 90 anos.

Sendo assim, a pesquisa indica que um subproduto comum do envelhecimento é evidente em pessoas que sofrem de depressão. Embora seja um estudo considerado pequeno devido à quantidade de participantes, o resultado chama a atenção para a necessidade e novas investigações sobre o que acontece com o cérebro de uma pessoa deprimida.

A descoberta também é uma hipótese plausível para explicar porque as mulheres – que estão duas vezes mais propensas a sofrer de depressão – têm o triplo do risco de sofrer Alzheimer, em comparação com a população masculina.

- SAÚDE - Por Redação - 15 fev 2019

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