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‘Desordem é a pior das guerras’, diz Temer ao assinar intervenção

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‘Desordem é a pior das guerras’, diz Temer ao assinar intervenção

Presidente declarou que ação federal na segurança do Rio de Janeiro será suspensa caso haja 'condições' para votação da reforma da Previdência

O presidente Michel Temer (MDB) assinou no início da tarde desta sexta-feira o decreto de intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. A medida terá vigor até o final de 2018. Ao lado do governador fluminense, Luiz Fernando Pezão (MDB), e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que também assinaram a ordem, Temer declarou que “a desordem é a pior das guerras” e que o crime organizado é uma “metástase que se espalha pelo país”.

O emedebista confirmou que o decreto de intervenção, que impede a votação da reforma da Previdência, será suspenso se houver “condições” para que as mudanças nas aposentadorias sejam votadas na Câmara.

“O crime organizado quase tomou conta do Estado do Rio de Janeiro, é uma metástase que se espalha pelo país e ameaça a tranquilidade do nosso povo, por isso acabamos de decretar, nesse momento, a intervenção federal na área da segurança pública no Rio de Janeiro. Os senhores sabem que eu tomo essa medida extrema porque as circunstâncias assim exigem”, afirmou o presidente.

Depois da assinatura, o decreto tem efeito instantâneo, mas ainda será submetido a votações na Câmara dos Deputados e no Senado em até dez dias. Deputados e senadores devem aprovar a medida para que a intervenção federal no Rio de Janeiro seja mantida.

Michel Temer ressaltou que a decisão da intervenção foi “construída em diálogo” com Pezão e confirmou que o interventor nomeado que comandará as forças de segurança no Rio é o general Walter Souza Braga Netto, comandante do Comando Militar do Leste, sediado no Centro da capital fluminense.

“A intervenção, registro a todos, foi construída em diálogo com o governador Luiz Fernando Pezão e eu comunico que nomeei o interventor, o comandante militar do Leste, general Walter Souza Braga Neto, que terá poderes para restaurar a tranquilidade do povo. As polícias e as Forças Armadas estarão nas ruas, nas avenidas, nas comunidades e, unidas, combaterão, enfrentarão e vencerão, naturalmente, aqueles que sequestram do povo as nossas cidades”, disse o presidente, que falou em “respostas duras e firmes” do governo para derrotar o crime organizado. “Por isso chega, basta, nós não vamos aceitar que matem nosso presente nem continuem a assassinar o nosso futuro.”

“Nossos presídios não serão mais escritórios de bandidos, nem nossas praças continuarão a ser salões de festa do crime organizado, nossas estradas devem ser rota segura a motoristas honestos nas vias, e nunca via de transporte de drogas ou roubo de cargas. A desordem, sabemos todos, é a pior das guerras, começamos uma batalha em que nosso único caminho só pode ser o sucesso e contamos naturalmente com todos os homens e mulheres de bem ao nosso lado, apoiando a sendo vigilantes nessa luta”, completou o presidente, que disse ser “intolerável” que haja “bairros inteiros citiados, escolas sob a mira de fuzis e avenidas transformadas em trincheiras”.

Sobre a votação da reforma da Previdência, principal agenda legislativa do governo Temer nos últimos meses, o presidente afirmou que combinou com Rodrigo Maia e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que a tramitação da PEC com as alterações nas regras para aposentadorias continuará em tramitação no Congresso e que a intervenção será interrompida se o Legislativo entender que há condições para a votação. Intervenções federais, como a decretada no Rio, impedem que sejam aprovadas emendas à Constituição. “Quando ela [a reforma] estiver para ser votada, segundo avaliação das casa legislativas, eu farei cessar a intervenção”, explicou o presidente.

Pezão fala em “pressa e urgência”

Em seu discurso ao lado de Michel Temer e Rodrigo Maia, Luiz Fernando Pezão disse que o Rio “tem pressa e urgência”. Em reunião com o presidente no Palácio do Jaburu na noite de ontem, na qual se decidiu pela intervenção federal, Pezão havia admitido que “não dá mais, o Rio está em estado de calamidade”.

“Nós, com a polícia militar e civil, não estamos conseguindo deter a guerra entre facções no nosso estado. Ainda com um componente grave, que são as milícias”, afirmou o governador fluminense no Palácio do Planalto.

O emedebista ainda ressaltou que o estado é cercado por rodovias federais e declarou que, sem ajuda das Forças Armadas e da Polícia Federal, “é impossível combater a entrada de armas”.

Já Rodrigo Maia disse que a situação da segurança pública no Rio de Janeiro “requer atitudes mais contundentes” e que a intervenção decretada por Temer “é uma atitude de coragem”.

“O mais importante para o sucesso dessa decisão é que o planejamento seja bem pensado, para que a execução das ações tenha efetividade. Tenho certeza de que nenhum carioca, nenhum fluminense, queria estar passando por isso, mas talvez essa seja a última oportunidade de recuperarmos o estado para a população”, afirmou o presidente da Câmara. Mais cedo nesta sexta-feira, Maia declarou que a intervenção é um “salto triplo sem rede, não pode errar”.

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