Viva Marilia | Viva Marília é a simplicidade através de conteúdos que façam a diferença na vida daqueles que dedicam seu precioso tempo para nos ler.

DIA INTERNACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Data: / 20 views
DIA INTERNACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

'Não me vejo com dificuldade', diz cega ao rechaçar refrão 'não está sendo fácil', imortalizado por xará

Foto - Cega há 30 anos, Kátia é a única pedagoga da Biblioteca Infantil e Juvenil de BH

 

Ler, contar histórias e escolher obras em um ambiente tão visual como o de uma biblioteca nunca foram desafios para Kátia Maria Brandão, cega há 30 anos. Pedagoga e funcionária do espaço dedicado a livros infanto-juvenis do Centro de Referência da Juventude, em Belo Horizonte, ela caminha com desenvoltura no escuro, por entre estantes e cadeiras.

Bem-humorada, confessou que já houve muita gente que pedisse para que ela cantasse os sucessos da cantora Kátia, também cega, famosa nos anos 80 e que virou meme por causa do refrão “não está sendo fácil”, presente na música “Qualquer Jeito”.

 

“Eu gosto de cantar, já cantei em coral, adoro cantar em família, adoro cantar no barzinho com os amigos, mas é só (risos)”, contou ela. “O ‘fácil’ (da música) sou eu que faço. Porque fácil não é para ninguém, né? ‘Não está sendo fácil’? Está, a partir do momento que eu criei esta aceitação em mim”, disse Kátia, hoje com 56 anos.

Aos 25 anos, ela sofreu descolamento da retina de um dos olhos após uma forte dor de cabeça. Passou por cinco cirurgias, mas não houve nenhum avanço. Tempos depois, o mesmo ocorreu com a vista esquerda. Mais uma operação foi realizada sem sucesso.

Na época, a filha dela tinha seis anos e, pela necessidade de trabalhar, desistiu das cirurgias e assumiu sua condição de deficiente visual. “Para mim, a perda da visão foi um ganho”, disse Kátia. “Eu sou uma pessoa totalmente resolvida enquanto cega. Eu não tenho nenhum problema. Nada do que as pessoas possam dizer, tipo, ‘a você sofre preconceito?’, não porque o preconceito não me atinge”, contou ela.

A pedagogia apareceu na vida de Kátia após a perda da visão. Antes, ela apostava na contabilidade, mas achou que seria difícil lidar com números sem poder enxergar. Kátia se formou pela Universidade Federal de Minas Gerais e se tornou especialista em Educação de Jovens e Adultos (EJA).

 

“Quando eu entro na sala de aula, eles olham (os alunos) para mim, eu me apresento, pergunto os nomes. Muitos nem acreditam que sou cega”, disse ela.

Para Kátia, que se reinventou após perdeu totalmente a visão, a frase de sua xará famosa, “não está sendo fácil”, está longe de definir sua vida.

“Eu não me vejo com nenhuma dificuldade. (...) Quando você convive, você está ali trocando. Trocando energia, sorriso, ideia, aperto de mão, expressão facial. Tudo é processo”, disse ela.

- Por Thais Pimentel, G1 Minas — Belo Horizonte - 

- Comente, Compartilhe e Interaja em sua rede social.

Veja Também: Artigos Relacionados