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Dólar cai e fecha no patamar de R$ 3,20 com trabalhista e condenação de Lula

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Dólar cai e fecha no patamar de R$ 3,20 com trabalhista e condenação de Lula

Uma conjunção de fatores levou o dólar a fechar no patamar de R$ 3,20, o menor nível desde a divulgação das gravações do caso JBS

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro fez com que a moeda norte-americana renovasse mínimas diversas vezes durante à tarde. O movimento de queda já vinha desde cedo depois da aprovação da reforma trabalhista com placar folgado e da sinalização da presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, de que os juros nos Estados Unidos deverão subir de forma mais espaçada.

Lula foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba, e é a primeira condenação do ex-presidente na Operação Lava Jato. Embora ela não seja suficiente para barrar a candidatura de Lula para 2018, uma vez que é necessária uma sentença em segunda instância, o ato em si mostra um enfraquecimento do ex-presidente para as eleições do ano que vem, e foi essa percepção que agradou aos investidores. “A chance de Lula concorrer à eleição no próximo ano diminui bastante”, pontuou Bruno Foresti, gerente de câmbio do banco Ourinvest.

Outros fatores também contribuíram para que a divisa norte-americana fechasse em baixa pelo quarto dia consecutivo. Logo na abertura, o mercado comemorou a aprovação da reforma trabalhista por 50 votos favoráveis e 26 contra, “o que gerou certo otimismo quanto à aprovação da reforma previdenciária, uma vez que o governo mostrou mais força do que o mercado estava esperando”, disse Felipe Pellegrini, gerente de tesouraria do Grupo Confidence.

A queda generalizada do dólar frente moedas emergentes e a maioria das divisas principais foi outro fator que exerceu pressão internamente. Hoje, Yellen reequilibrou as apostas de investidores em relação ao futuro da política monetária nos EUA, com discurso mais voltado a uma taxa de juros neutra e chamando atenção para a fraqueza da inflação e balanço de ativos, o que alimentou apetite ao risco. O avanço do petróleo também ajudou o real a se valorizar.

O gerente de câmbio do Grupo Confidence lembrou que embora o clima esteja melhor, a cautela ainda existe pelas incertezas quanto à reforma da Previdência e a possibilidade de “surpresas no meio do caminho como uma ‘notícia bomba'”. Sem falar nos riscos em torno da situação crítica das contas públicas.

No mercado à vista, o dólar terminou em baixa de 1,36%, aos R$ 3,2090, o menor nível desde 17 de maio, dia em que houve a divulgação das gravações da JBS envolvendo Temer. O giro financeiro somou US$ 1,39 bilhão. Na mínima, a moeda ficou em R$ 3,2054 (-1,47%) e, na máxima, aos R$ 3,2414 (-0,36%). No mercado futuro, o dólar para agosto caiu 1,47%, aos R$ 3,2210. O volume financeiro movimentado foi de US$ 17,50 bilhões. Durante o pregão, a divisa oscilou de R$ 3,2175 (-1,57%) a R$ 3,2545 (-0,44%).

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