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'É diferente e bonito', diz dançarina da única companhia de ballet de cegos do mundo

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'É diferente e bonito', diz dançarina da única companhia de ballet de cegos do mundo

Geiza Pereira, de 31 anos, perdeu a visão quando era criança e se dedica há dança desde os 9 anos. Cia. Ballet de Cegos se apresenta em Piracicaba

Foto - Geiza Pereira, 1ª bailarina da Cia Ballet de Cegos (Foto: Divulgação)

Encontrei um mundo que é diferente e bonito". A declaração é de Geiza Pereira, de 31 anos, e que há 22 anos se dedica à dança. O encantamento pelo ballet começou ainda na infância, mas, para encontrar o "mundo bonito" que se refere, a jovem teve de superar um desafio imposto pela vida quando era criança: a perda da visão. Atualmente, ela ocupa a função de primeira bailarina da única companhia profissional de ballet de cegos do mundo.

Geiza perdeu a visão quando era criança por conta de uma meningite. Ela morava em Pernambuco e se mudou para São Paulo com a família em busca da cura da doença. Pela demora no tratamento, a bailarina teve uma atrofia no nervo ótico e ficou cega.

“Pensei que meu sonho de ser bailarina tinha acabado. Achava que ia ficar trancada em casa”, disse.

Assim que perdeu a visão, ela recebeu o convite da professora Fernanda Bianchini para participar das aulas. Apesar de ter ficado com dúvida se conseguiria desempenhar todas as funções, ela aceitou e se surpreendeu. “Eu me questionei como uma pessoa cega podia realizar movimentos tão bonitos?”, lembrou.

Antes disso, apesar de sonhar em ser bailarina, a jovem só tinha tido contato com a dança pela televisão. Hoje, ela conta que é uma alegria ouvir os aplausos ao fim do espetáculo e os comentários do público. “A gente motivar a plateia é muito emocionante”, disse.

Além de bailarina, Geiza também dedica parte do seu tempo dando aulas para turmas infantis e intermediárias. “É gratificante. Antes a gente não tinha alguém pra se inspirar e hoje nós somos uma inspiração para elas”, contou.

Cia Ballet de Cegos se apresenta em Piracicaba (Foto: Divulgação)Cia Ballet de Cegos se apresenta em Piracicaba (Foto: Divulgação)
 

Método

 

A responsável pelo início do projeto, Fernanda Bianchini, afirmou que começou a dar aulas quando tinha 15 anos e Geiza foi sua primeira aluna. Foi um desafio, segundo ela, já que nunca tinha ensinado ballet para ninguém. “Meu pai disse uma coisa que nunca me esqueci: nunca fale não para um desafio. Levo isso comigo até hoje”, contou.

 

“Aprendi a enxergar o mundo com os olhos do coração”, disse Fernanda

 

Ela explicou que o método que desenvolveu para ensinar os passos para as alunas deficientes visuais foi do tato. A professora faz uma pose, as bailarinas sentem no corpo dela e repetem. Depois as poses se tornam passos e são encaixados na música. Com o tempo, as bailarinas já reconhecem o movimento pelo nome.

 

“Até as bailarinas que enxergam preferem sentir”, contou Geiza

 

Para a primeira bailarina da companhia, a principal dificuldade é executar os giros. Geiza explicou que as dançarinas fixam o olhar em um ponto fixo para fazer as piruetas e esse é um desafio. “Mas não é impedimento”, salientou.

A Associação Fernanda Bianchini atende gratuitamente 338 alunos com aulas de várias modalidades de dança. A entidade funciona a base de doação e de incentivos do governo, como a Lei Rouanet. A Cia Ballet de Cegos funciona na Associação, que fica em São Paulo, e conta hoje com 18 componentes, 12 bailarinas e seis bailarinos, todos cegos.

A apresentação de terça-feira acontece no Teatro do Engenho e vai contar com o recurso da audiodescrição.

Por Carol Giantomaso*, G1 Piracicaba e Região - *Sob supervisão de Samantha Silva, do G1 Piracicaba

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