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Enchentes no RS tem impacto psicológico devastador nos afetados

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Enchentes no RS tem impacto psicológico devastador nos afetados

Pesquisa mostra impacto psicológico devastador das enchentes no RS; 90% dos afetados apresentam sintomas de transtornos mentais

A sequência de temporais que aflingiram o Rio Grande do Sul em maio deixou marcas profundas na população, indo além dos danos materiais. Segundo uma pesquisa em andamento realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre9 em cada 10 moradores do estado estão enfrentando problemas de saúde mental após as enchentes. Dos 2,5 mil questionários aplicados, 1 mil já foram analisados, revelando que transtorno do estresse pós-traumáticoansiedadedepressão e esgotamento profissional (burnout) são comuns entre os afetados.

A psiquiatra Simone Hauck, coordenadora do estudo, destacou que mesmo pessoas que não foram diretamente atingidas pela subida das águas estão sofrendo com sintomas de estresse pós-traumático.

 

"O que a gente tem visto é que, mesmo voluntários, pessoas que participaram dos resgates, eu ouvi cada relato, por exemplo, 'eu escuto a água da torneira e é como se a enchente estivesse acontecendo de novo'. 'Quando eu vou dormir, eu não perdi nada, mas quando eu vou dormir, eu sonho que a água está chegando no meu apartamento'. 'Eu não consigo acreditar mais que vale a pena conquistar qualquer coisa na vida porque a gente pode já perder a qualquer momento'. E isso afetando pessoas que nem foram tão atingidas, sabe?", contou.

 

Parte dos entrevistados apresenta sintomas passageiros, que tendem a diminuir com o tempo e a resolução dos problemas relacionados às enchentes. Porém, aqueles que persistirem com os sinais devem buscar ajuda especializada para evitar complicações. A pesquisa também alerta para o aumento dos casos de ansiedade e depressão, que podem levar a pensamentos suicidas. O Rio Grande do Sul já lidera um triste ranking nacional, sendo o estado com a mais alta taxa de suicídios, quase o dobro da média nacional.

Flávio Kapczinski, diretor da Rede Nacional de Saúde Mental, ressalta a importância de combater o preconceito contra aqueles que desenvolvem traumas psíquicos:

 

Ninguém escolhe ter uma doença, assim como qualquer outra, como ter pneumonia, como ter asma. E ter uma doença mental ninguém decide ter, todos gostariam de ter saúde. E isso precisa ser melhor acolhido pela sociedade, isso precisa ser melhor acolhido pelas famílias e isso precisa ser discutido dentro dos ambientes de trabalho, das empresas, dentro das escolas, universidades e no âmbito da família", disse.

 

Para aqueles que precisam de assistência, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre oferece atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito pela internet, tanto para vítimas das enchentes quanto para os profissionais de resgate. O Grupo DOC também disponibiliza atendimentos gratuitos para a população gaúcha atingida pelas enchentes, incluindo consultas psicológicas e médicas.

DIÁRIO DE SÃO PAULO - Sabrina Oliveira Publicado em 11/06/2024, às 13h55

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