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Esther: Salva aos 7 dias de vida com técnica brasileira do Incor

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Esther: Salva aos 7 dias de vida com técnica brasileira do Incor

Lorena: Natural de Maceió, bebê de 11 meses sofre de cardiopatia congênita, cuja cura exige um transplante

SÃO PAULO - Esther tinha apenas 7 dias quando foi levada para um dos centros cirúrgicos do Instituto do Coração (Incor) para passar pelo único procedimento capaz de salvar sua vida. A bebê nasceu com um tipo de cardiopatia congênita que, se não tratada nas primeiras semanas após o nascimento, leva a criança à morte.

 

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Bebê nasceu com uma cardiopatia congênita que não havia sido detectada durante a gestação Foto: Helvio Romero/Estadão

 

O problema não havia sido detectado durante a gestação, o que tornou o susto e o desespero da família ainda maiores no momento do diagnóstico. “A gravidez foi bastante tranquila. Só que, no segundo dia de vida, ela passou mal e ficou toda roxinha. A pediatra a levou para fazer exames e descobriu que nasceu com os vasos sanguíneos invertidos”, conta a mãe de Esther, a recreacionista Yasmin Viana de Oliveira, de 24 anos.

Nesses casos, o recém-nascido precisa passar por uma operação em que as artérias aorta e pulmonar são colocadas na posição correta, permitindo, assim, que o sangue que passa pelo pulmão para ser oxigenado seja distribuído normalmente pelo corpo da criança, incluindo os órgãos vitais.

A técnica. Nos casos como o de Esther, o Incor não se destaca “apenas” por ser capaz de realizar esse tipo de cirurgia. A invenção da técnica, em 1975, também esbarra na história da instituição. Foi o renomado cirurgião Adib Jatene (1929-2014), um dos maiores especialistas que passaram pela instituição, o responsável pela criação do procedimento, conhecido mundialmente como Cirurgia de Jatene. “Até a década de 1960, 90% dos bebês que nasciam com essa cardiopatia morriam no primeiro ano de vida. Hoje é o contrário: 80% a 90% sobrevivem”, relata Filomena Galas, médica supervisora da UTI cirúrgica do Incor, onde a pequena Esther se recuperou antes de ter alta.

Adib Jatene não deixou seu legado apenas na literatura científica. Dois de seus filhos, Fábio e Marcelo, atuam no Incor. O primeiro é vice-presidente do Conselho Diretor e diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular. Já Marcelo é diretor do Serviço de Cirurgia Cardiovascular Infantil e chefe da equipe que operou a pequena Esther.

Bebê Lorena viaja 2,4 mil km em busca de tratamento no Incor

Natural de Maceió, bebê de 11 meses sofre de cardiopatia congênita, cuja cura exige um transplante

SÃO PAULO - Internada há dois meses no Incor, Lorena já é um dos xodós da equipe da UTI pediátrica cirúrgica. Natural de Maceió, a pequena viajou mais de 2.400 quilômetros até a capital paulista com os pais para tratar uma cardiopatia congênita que só será definitivamente curada quando a menina conseguir um novo coração.

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‘Se eu tivesse ficado na minha cidade, ela não teria as mesmas condições’, diz mãe Foto: Helvio Romero/Estadão

 

Pela gravidade do caso, a bebê de 11 meses é a primeira da lista de espera pelo órgão no Estado de São Paulo. Mesmo internada no maior centro de cardiologia do País, não sobreviveria durante o período em que aguarda o coração se não passasse por uma cirurgia para implantar um equipamento que substitui parte das funções do órgão.

“Em Maceió já sabíamos que era caso de transplante, mas ninguém sabia quando ia realmente precisar. Os médicos de lá e do Recife foram fazendo o tratamento com medicamentos. No início de novembro, ela começou a apresentar vômitos e piorar. Por Deus, eu tinha decidido marcar uma consulta no Incor para avaliação naquela semana, por indicação de uma amiga cuja filha tinha a mesma doença e tinha se tratado aqui”, conta a mãe da menina, a autônoma Larissa Monique Farias da Silva, de 31 anos.

Por causa do agravamento da doença, a menina chegou ao instituto paulista com quadro de desnutrição e bastante debilitada, pesando cerca de 5 quilos. “A médica detectou que o coração dela já estava muito fraco, funcionando só 11%”, relata Larissa.

Como a espera por um coração pode demorar meses e Lorena já estava em um estado crítico, os médicos do Incor decidiram implantar um dispositivo chamado de Berlin Heart, uma espécie de coração artificial externo. Enquanto estiver ligado ao equipamento, a menina terá de permanecer no hospital. “A nossa esperança agora é conseguir logo um doador para a Lorena. Pelo menos sabemos que estão fazendo tudo que é possível pela vida dela. Se eu tivesse ficado na minha cidade, acredito que ela não teria as mesmas condições de tratamento. Talvez nem teríamos mais ela do nosso lado”, comenta a mãe.

 

- Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo - 22 Janeiro 2018 | 03h00

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