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“Golpe do envelope vazio” é nova tática para enganar empresários

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“Golpe do envelope vazio” é nova tática para enganar empresários

A dona de uma loja de artigos de cama, mesa e banho quase foi vítima do “golpe do envelope vazio”

Ela havia fechado uma venda, que seria paga por meio de uma transferência bancária. Pouco depois, a cliente telefonou dizendo que, por engano, havia depositado um valor muito superior e pedia a devolução da diferença. A empresária, no entanto, percebeu que o valor constava como “bloqueado” e descobriu que a falsa compradora havia depositado um envelope sem nenhum dinheiro em sua conta.

“Eu só escapei porque sempre confiro minha conta o tempo todo”, disse a empresária Vanessa Cristina Azevedo de Oliveira, proprietária da Cazza&Co.

A tentativa de golpe começou na sexta-feira (20), quando uma mulher ligou querendo fechar a compra de duas colchas de uma marca de luxo, cujo valor totalizava R$ 2 mil. Na segunda-feira (23), no entanto, a compradora voltou a telefonar, dizendo que uma funcionária dela havia feito uma confusão, depositando R$ 17 mil – dinheiro com o qual ela dizia que pagaria um fornecedor.

“Ela disse que uma funcionária do departamento financeiro dela fez o depósito errado. Em seguida, ela me passou pelo WhatsApp um comprovante de depósito de R$ 17 mil”, disse Vanessa. “Não deu dez minutos, ligou um senhor, dizendo que era marido dela [da compradora], perguntando se eu não podia fazer o depósito da diferença imediatamente, porque ele precisava efetuar um pagamento a outra pessoa”, contou.

Ambos os telefones tinham prefixo de outros estados: o da compradora era do código de área 16; o do marido dela, 65. Isso fez com que as desconfianças de Vanessa se ampliassem. Assim que consultou a movimentação de sua conta e viu que o valor estava bloqueado, a empresária de Curitiba foi ao banco, onde constatou que o envelope estava vazio.

A Cazza&Co é uma empresa relativamente nova no mercado – tem três meses de atividades. A proprietária acredita que este tenha sido um dos motivos pelos quais os golpistas tenham lhe escolhido como possível vítima. “Tenho a impressão de que eles estejam atacando empresas novas. A venda era de um valor bom. Um empresário novo pode se empolgar e, nessa empolgação, cair no golpe. Empresa antiga já fica mais atenta”, apontou.

Cheque sem fundos

Em dezembro do ano passado, uma escola particular de Curitiba foi vítima de um golpe parecido. Em vez de fazer a transação com um envelope vazio, o golpista efetuou o depósito de um cheque, mas não tinha fundos.

“A pessoa ligou dizendo que estava se mudando para Curitiba e que queria deixar pagas as mensalidades para o ano inteiro. Depois, disse que um funcionário havia se enganado, depositando R$ 50 mil. A escola chegou a devolver o valor, mas, posteriormente, descobriu-se que se tratava de um cheque sem fundos. O golpe girou em torno dos R$ 35 mil”, contou o delegado Wallace de Oliveira Brito, chefe da Delegacia de Estelionato.

Precauções

O delegado aponta que nesses casos – em que o comprador alega ter depositado um valor superior –, o empresário só restitua a diferença depois que constatar que o dinheiro realmente caiu na conta. “Nunca se deve ir no ímpeto. A pessoa tem que se certificar que o valor entrou. Eles [os golpistas] sempre vão criar alguma situação de emergência, dizendo que precisam do dinheiro naquele instante. Não se deve cair nessa”, ressaltou.

Alguns bancos não fazem constar no extrato observações, apontando que o dinheiro está bloqueado. Isso pode induzir o titular da conta ao erro. “Ele pensa que o valor realmente está disponível”, apontou o delegado. “Por isso, é melhor esperar um ou dois dias, para ter certeza”, afirmou.

Além disso, em regra, o crime é cometido por pessoas que estão em outros estados e que sempre usam o telefone para fazer as negociações. “Se for fechar uma venda grande por telefone, com alguém de longe, o empresário já deve ficar na cautela”, observou Oliveira Brito. A distância, no entanto, pode ser um entrave às investigações. “A consumação do crime ocorre na cidade de origem. É um crime interestadual. A gente troca informações com outras delegacias, mas tem essa dificuldade”, apontou o delegado. (GazetaPovo)

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