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Ibovespa sobe e volta aos 93 mil com expectativa de recuperação econômica

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Ibovespa sobe e volta aos 93 mil com expectativa de recuperação econômica

Dados de desemprego dos EUA endossam bom humor do mercado, otimista com a reabertura das economias

A bolsa brasileira voltou a apresentar forte valorização e fechou em alta pelo quarto pregão consecutivo. Nesta quarta-feira, 3, o Ibovespa, principal índice de ações, subiu 2,15% e encerrou em 93.002,14 pontos. O tom positivo, mais uma vez, foi puxado pelo bom humor global com as reaberturas. Dados macroeconômicos também favoreceram o movimento.

Divulgados nesta manhã, o dado de desemprego americano, do Instituto ADP, melhorou ainda mais o ânimo do mercado ao ficar mais de dois terços abaixo das projeções. De acordo com o ADP, em maio, o setor privado do país perdeu 2,76 milhões de postos de trabalho ante uma expectativa de perda 9 milhões de postos. Os números são conhecidos como “prévia” do payroll, que será divulgado nesta sexta.

“O ADP melhor [que o esperado] deu um ‘plus’ no movimento de alta”, comentou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. Segundo ele, a velocidade da recuperação da bolsa pode não ser sustentável. “De repente, depois de 3 ou 4 dias de alta, a bolsa vira sozinha, naquela de que ‘virou porque tinha que virar’.”

Embora o momento seja atípico até para os mais experientes, Vieira acredita que ainda dá para “surfar nessa onda”. “Tudo depende de cautela para saber a hora de entrar e de sair”, disse.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou 1,36% e chegou à sétima valorização em oito pregões. O rali da bolsa americana ocorre mesmo em meio a uma série de protestos desencadeada após a morte do cidadão negro George Floyd por agentes da polícia de Minneapolis

Apesar da turbulência social que vive o país, Vieira não acredita que as manifestações tenham algum impacto sobre o preço dos ativos, a menos que ocorra uma “disrupção” dos protestos, que levasse à impossibilidade de locomoção (como invasão de aeroportos) ou a uma escalada da violência.

No cenário interno, repercutiram positivamente os dados da indústria brasileira, que foram melhores do que a expectativa. Em abril, a produção industrial recuou 27,2% na comparação anual ante uma perspectiva de queda de 33,1%.

Os índices de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto de maio também ficaram acima dos registrados em abril no mundo inteiro, sugerindo que o pior cenário econômico já ficou para trás. “O mercado está olhando para frente. Não tem como correr uma maratona olhando para o pé”, comentou Vieira.

Em meio ao otimismo generalizado, parte do mercado acredita que o Ibovespa possa voltar aos patamares do início do ano, mesmo com a economia mais fraca no mundo. Para William Teixeira, diretor de renda variável da Messem Investimentos, há espaço para a bolsa chegar no zero a zero, desde que não tenha uma segunda onda de contaminação em países onde já há o maior controle sobre a doença. “A bolsa deve precificar rapidamente a melhora da economia”, disse.

Destaques

Na bolsa, ativos ligados a reabertura das economias apresentaram fortes valorizações, como as companhias aéreas GOL e Azul, que disparam 16,41% e 10,15%, respectivamente.

“Gol e Azul estão com planos de retomada de voos. Elas também podem ganhar market share com outras empresas do setor passando por maiores dificuldades, como a Avianca [colombiana] e a Latam”, afirmou Teixeira.

Mas, quem liderou as altas do Ibovespa foram os papéis da resseguradora IRB Brasil, que se valorizaram 25%. Ainda assim, empresa, que passa por uma crise de confiança, tem o pior desemprenho do Ibovespa em 2020. No ano, seus papéis acumulam perdas de 72,4%

Entre as varejistas, as maiores valorizações ficaram com empresas voltadas ao comércio físico, como as de vestuário. No Ibovespa, os papéis da Hering avançaram 8,88%, enquanto os da Renner, 4,87%. Fora do índice, as ações da Marisa subiram 13,58e da Guararapes (da marca Riachuelo), 6,41%.

Com grande peso no Ibovespa, os grandes bancos também apresentam forte movimento de recuperação, com a expectativa de que a inadimplência seja menor do que a projetada pelas companhias. Entre eles, o destaque ficou com o Banco do Brasil, que subiu 5,88%. Santander, Itaú e Bradesco tiveram apreciação de 4,48%, 2,65% e 4,45%.

“Deve ter um número menor de empresas quebrando. Então, o setor financeiro começa a reagir a isso.  Se as provisões não se concretizarem nos próximos trimestres, o dinheiro volta para o caixa em forma de lucro”, disse Teixeira.

- EXAME - Por Guilherme Guilherme - Publicado em: 03/06/2020 às 17h30 - Alterado em: 03/06/2020 às 17h59-

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