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Inteligência artificial conversa com o público sobre arte em SP

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Inteligência artificial conversa com o público sobre arte em SP

Tecnologia derruba barreiras de aprendizado e ajuda a aproveitar plenamente visita a museu com importantes obras de arte brasileiras

Uma das obras mais populares (e curiosas) do artista brasileiro Nelson Leirner, chamada de O Porco, está em exposição na Pinacoteca de São Paulo. É provável que quem veja o porco empalhado, enjaulado e com um presunto pendurado no pescoço pergunte: “Isso é arte?” Se antes essa era uma questão difícil de entender, hoje já é possível receber uma resposta ao passear pela exposição artística e tecnológica A Voz da Arte, feita em parceria com a IBM.

A exposição traz a magia do sistema de computação cognitiva Watson para contar aos visitantes tudo sobre sete obras de arte brasileiras importantes do século 20. Assim, fica mais fácil de conhecer e apreciar pinturas de grandes artistas, como Tarsila do Amaral ou Cândido Portinari. Ou descobrir, por exemplo, que Leirner é corintiano, embora seja autor de uma obra de arte que remete ao mascote do Palmeiras.

Apesar de parecer futurista, a interação do público com as obras de arte é possível porque o Watson funciona de forma diferente de computadores tradicionais. Em vez de executar comandos preestabelecidos por programadores, ele acumula conhecimento com base em dados não estruturados, como fala, imagens e textos.

Ao chegar à entrada da exposição, o visitante recebe um dos iPhones disponíveis – o número de aparelhos é limitado e eles são entregues por ordem de chegada. Todos são equipados com o aplicativo do Watson e fones de ouvido com microfones. A partir de então, basta chegar perto de uma das obras e fazer perguntas em voz alta sobre elas. Ou seja, você pode conversar com as pinturas para tirar as mais diversas dúvidas.

Assim como ao mandar mensagens de voz pelo WhatsApp, é só apertar um botão para gravar a pergunta. Não precisa usar comandos de voz específicos (nem ter vergonha). É possível perguntar qualquer coisa, como o contexto histórico, o significado dos detalhes das obras ou quando elas foram feitas. Rapidamente, o Watson entende e traz as respostas mais adequadas para satisfazer a curiosidade do visitante – claro, tudo em português.

O poder da computação cognitiva da IBM faz, em tempo real, o trabalho de compreender a questão e ligá-la a uma das 50 intenções pré-programadas de respostas. No total, 12 000 perguntas podem ser respondidas. As informações são passadas aos visitantes pela voz feminina de Isabela, a interface do Watson com o mundo real.

Deficientes auditivos também podem interagir com o Watson por texto para receber todas as informações sobre as obras de arte da Pinacoteca em tempo real. Nesse caso, seria como mandar uma mensagem de texto pelo WhatsApp e ser respondido pela inteligência artificial da IBM. Todo tipo de pergunta pode ser formulada também sem restrição a comandos específicos para receber as respostas certas.

O Porco: obra do artista Nelson Leirner faz parte da exposição na Pina, organizada em parceria com a IBM (Divulgação/IBM)

A democratização da arte
Um estudo feito em 2010 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que 70% dos brasileiros nunca foram a um museu ou centro cultural. Isso significa que, para boa parte da população, a arte ainda é algo a ser explorado e, muitas vezes, difícil de entender. Mas a ação inédita no mundo de colocar o Watson em contato com o público – apesar de ele estar presente em diversos segmentos, como saúde e gestão – tem potencial para despertar o interesse pela arte nas pessoas.

Paulo Vicelli, diretor de relações institucionais da Pinacoteca de São Paulo, conta que a exposição atrai a atenção não só de entusiastas de tecnologia ou de arte, mas também desperta o interesse das crianças. Para ele, isso ajudará a formar novos públicos para eventos artísticos do futuro. Vale notar que a idade mínima recomendável para a visita à exposição é de 10 anos para que a experiência de apreciação da arte junto ao Watson seja plenamente aproveitada, uma vez que a maneira como a pergunta é formulada pode afetar a resposta.

Apesar de estar em desenvolvimento há mais de dez anos, o Watson ainda não tinha vindo a público de forma tão especial quanto essa da exposição. “É a primeira vez que o Watson é usado de maneira mais lúdica e criativa sobre um tema aberto como a arte. Temos um pioneirismo importante nessa exposição”, afirma Vicelli.

O Porco e outras obras de arte icônicas brasileiras ficam em exposição até agosto na Pinacoteca, quando termina a exposição. 

- VEJA SP - 

 

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