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Jovem com malformação na coluna vertebral vira youtuber para falar sobre dia a dia: 'Já fiz 20 cirurgias'

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Jovem com malformação na coluna vertebral vira youtuber para falar sobre dia a dia: 'Já fiz 20 cirurgias'

Estudante de jornalismo de Santa Cruz do Rio Pardo juntou os conhecimentos adquiridos da faculdade para criar o 'Mielando', onde fala sobre a mielomeningocele.

Compartilhar as experiências e dificuldades do dia a dia foi a maneira que a estudante de jornalismo Denise Cardoso Almeida, de 22 anos, encontrou para lidar com a Mielomeningocele - uma malformação congênita na coluna, na qual os ossos não se desenvolvem adequadamente durante a gestação.

A malformação pode ser diagnosticada quando o bebê ainda está dentro do útero mas, no caso da Denise, foi detectada apenas depois que ela nasceu. "Eu fiz minha primeira operação com 14 horas de vida", conta Denise.

A estudante do terceiro ano de jornalismo resolveu que iria, de alguma maneira, ajudar outras pessoas que também possuem mielomeningocele.

Ela juntou os conhecimentos adquiridos na faculdade com a força de vontade e criou o Blog e o Canal no YouTube "Mielando", onde compartilha suas experiências do dia a dia, com a finalidade de ajudar e informar pessoas que lidam com a doença.

 

Descobrindo a deficiência

 

A mãe da estudante, Denise de Cássia Cardoso, conta sobre quando recebeu o diagnóstico. "Foi aterrorizante ver o médico fechar a porta do quarto e me dizer: 'Seu bebê tem um problema. Pode ser que não ande e pode ser que não tenha um raciocínio normal'", relata.

Além de uma série de alergias, incontinência fecal e urinária, a jovem teve hidrocefalia com 10 dias de vida. E, ainda, houve um comprometimento dos movimentos dos membros inferiores, o que fez com que Denise precisasse usar órteses para andar.

 
Denise começou a perceber que tinha a doença aos 10 anos de idade (Foto: Reprodução/Globo)Denise começou a perceber que tinha a doença aos 10 anos de idade (Foto: Reprodução/Globo)
 

A jovem começou a tomar conhecimento de que tinha a doença aos 10 anos, quando realizou uma cirurgia na bexiga.

 

"Eu via as minhas amigas da escola e elas não usavam fraldas igual a mim. E isso me deixava chateada, mas minha mãe foi conversando comigo aos poucos e fui compreendendo a minha condição", relata.

 

No entanto, segundo Denise, as órteses costumavam ser uma das suas maiores inseguranças. "Quando eu usava um shorts ou um vestido na rua, as pessoas ficavam olhando e eu me sentia muito mal", conta.

Segundo a estudante de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), das 20 cirurgias feitas, a melhor foi para implantar o cateter ou sonda urinária. "Eu usava fraldas e, depois dessa cirurgia, meu dia a dia melhorou muito", conta.

Atualmente, Denise faz acompanhamento com uma equipe médica formada por neurologistas, ortopedistas e urologistas e acabou ultrapassando todas as expectativas.

 

Compartilhando experiências

 

Denise aprendeu a superar o problema e investiu na oportunidade de poder ajudar o próximo. Atualmente, os vídeos da jovem já somam mais de 11 milhões de visualizações. "O mais legal desse retorno é saber que eu pude ajudar as pessoas de alguma forma", relata.

 
Denise decidiu que iria usar os conhecimentos adquiridos na faculdade de Jornalismo para ajudar outras pessoas com mielo (Foto: Divulgação)Denise decidiu que iria usar os conhecimentos adquiridos na faculdade de Jornalismo para ajudar outras pessoas com mielo (Foto: Divulgação)
 

A mãe de Denise é uma das principais admiradoras do trabalho de informação feito pela filha. "Se na época em que ela nasceu houvesse algo desse tipo para me ajudar, talvez ela não teria passado por certas dificuldades que ela passou. É um trabalho maravilhoso", conta.

Além da admiração de muitos, Denise ganhou algo ainda mais precioso: a autoconfiança.

 

"Hoje eu não tenho mais vergonha, principalmente, das minhas órteses. Eu não vou deixar de usar vestidos... Eu não vou deixar de usar um shorts. Sei que as pessoas vão olhar e não tem problema", afirma.

 

 
Canal

Canal "Mielando" já possui mais de 13 mil inscritos (Foto: Reprodução/YouTube)

O contato com pessoas que também sofrem com essa má-formação fez com que a Denise trocasse experiências, tirasse suas dúvidas e ampliasse sua visão sobre a "mielo". Mas também, fez com que ela encontrasse novos amigos.

 

Reconhecimento

 

Recentemente, Denise foi convidada a receber uma monção de aplausos e reconhecimento da Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo. Ela compartilhou o momento nas redes sociais e, como sempre, recebeu o carinhos dos seguidores.

 

"Meu coração estava acelerado. Eu não consegui dizer nada além de 'muito obrigada'. A minha gratidão era e sempre vai ser muito grande. O que eu mais quero é que a Mielomeningocele seja divulgada com o máximo respeito e veracidade. E graças a Deus isso está acontecendo.", conta.

 

- Por Júlia Martins*, G1 Bauru e Marília - Colaborou sob a supervisão de Ana Carolina Levorato* - 23/01/2018

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