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Jovem de Marília se destaca como 1º brasileiro a cursar Teatro Musical em universidade irlandesa

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Jovem de Marília se destaca como 1º brasileiro a cursar Teatro Musical em universidade irlandesa

Renan Teodoro, de 23 anos, vem de uma família pobre e não mediu esforços para superar os obstáculos e alcançar seus sonhos. Jovem já participou de apresentações para Rainha da Inglaterra e para o Papa

Renan é o primeiro brasileiro a cursar Teatro Musical na Amercian College Dublin — Foto: Arquivo Pessoal

“A dança é algo que me relaxa. Sinto que é meu propósito na vida”. É assim que o estudante Renan Teodoro de Barros, de 23 anos, define seu amor pela arte. Nascido em Marília, no interior de São Paulo, el vêm se destacando como o primeiro brasileiro a cursar Teatro Musical na American College Dublin, na Irlanda.

No entanto, a jornada até conseguir uma vaga no curso não foi fácil. Renan é de família simples, estudou em escolas públicas até o segundo ano do ensino fundamental, quando sua mãe, Cleide Barros, conseguiu um emprego em uma escola particular da cidade e uma bolsa de estudos para o filho.

 
Desde pequeno, Renan já mostrava seu amor pela música e pela arte — Foto: Arquivo PessoalDesde pequeno, Renan já mostrava seu amor pela música e pela arte — Foto: Arquivo Pessoal

A arte sempre esteve presente no dia a dia de Renan. Segundo ele, os pais sempre foram apaixonados por música e faziam questão de que o garoto sempre tivesse contato com a cultura musical.

 

“Meus pais sempre foram muito ligados à música. Minha mãe, por exemplo, ama rádio. Então, em casa, eu sempre tive esse contato”, conta Renan.

 

Na escola, começou a ter aulas de coral no ensino fundamental. Lá, conheceu a professora de sapateado Valéria Sanches e entrou no mundo da dança. Desde pequeno, Renan sempre soube que tinha vocação artística.

“Desde os meus 10, 11 anos, descobri que queria fazer teatro musical. Eu queria juntar música, dança e atuação. Era meu sonho”, lembra.

 

 
Renan em apresentação com professora de sapateado que conheceu no ensino fundamental em Marília — Foto: Arquivo PessoalRenan em apresentação com professora de sapateado que conheceu no ensino fundamental em Marília — Foto: Arquivo Pessoal

Ainda no colégio, o rapaz começou a ter contato com a língua inglesa. Aos 12 anos, se formou fluente em uma escola da cidade e passou a ministrar aulas de reposição para que pudesse ter seu próprio dinheiro. Aí, já tinha início uma jornada de vários anos rumo ao sonho de cursar Teatro Musical.

 

Sonho em estudar fora

O tempo passava e Renan continuava com a mesma ambição: queria estudar e morar fora do país. “Sempre quis morar nos Estados Unidos, então, pensei, ‘por que não tentar uma vaga para estudar Teatro Musical lá?’”, conta.

 
Sonho de Renan era poder fazer aulas no exterior — Foto: Arquivo PessoalSonho de Renan era poder fazer aulas no exterior — Foto: Arquivo Pessoal
 

No entanto, a família de Renan não tinha recursos suficientes para bancar os custos de uma viagem internacional. “Não tinha como eu sair do Brasil . Não tinha como, eu não tinha dinheiro. Foi aí eu resolvi fazer Artes Cênicas em Londrina, porque era o mais próximo do que o que eu queria. E, depois que eu terminasse, queria fazer uma especialização fora do país”, explica.

Mas, nem tudo foi tão simples assim. O que parecia “fácil” de início, se mostrou bem diferente do que Renan esperava.

“Eu era muito ingênuo, achei que ia ser fácil. Mas, cursei um ano de Artes Cênicas e vi que, realmente, não era aquilo que eu queria. Então voltei para a casa dos meus pais e resolvi que iria tentar uma vaga no exterior”, conta.

 
Renan conseguiu a vaga depois de ser rejeitado três vezes — Foto: Arquivo PessoalRenan conseguiu a vaga depois de ser rejeitado três vezes — Foto: Arquivo Pessoal

E foi então que a saga para juntar dinheiro e aplicar para diversas universidades começou. Felizmente, o idioma nunca foi um empecilho para Renan, já que, desde pequeno teve contato com a língua inglesa e tinha voltado a ministrar aulas na escola onde estudou.

“Eu dava aula de segunda a sábado, tinha 12 turmas. Era uma loucura, tinha aula o dia inteiro. Mas, eu realmente precisava daquele dinheiro, então, não era tão ruim”, lembra.

E então, finalmente, recebeu a notícia de que havia sido aceito em quase todas as universidades para as quais aplicou. Porém, ainda era necessário preencher toda a documentação e também tirar o visto para poder morar fora do país.

“Achei que era fácil, que era só escolher uma delas e pronto. Escolhi pelo preço, a mais barata era na Dakota do Sul. Durante seis meses, fizeram vídeo conferência, por telefone, toda uma preparação. Todos os documentos eram enviados pelo correio”, conta.

O estudante preencheu todos os documentos e foi até São Paulo fazer uma entrevista no consulado americano e enviar os papéis para retirar o visto, só que ele foi negado. “Todas as minhas fichas estavam apostadas nessa faculdade. Não passei. Gastei tudo e não consegui. Meu visto foi negado”, diz.

Renan foi aconselhado a repetir o processo depois de seis meses, no entanto, não teve sucesso. “Tentei outras três vezes, fui negado em todas. Minha cabeça virou um turbilhão, não sabia mais o que fazer”, conta.

 

Oportunidade na Irlanda

O rapaz voltou dar aulas de inglês, mas ainda não havia tirado da cabeça o sonho que tinha desde pequeno. Foi então que, em uma conversa com outra professora, fico sabendo que, para estudar na Irlanda, não era necessário tirar o visto. 

Renan com os amigos da universidade — Foto: Arquivo PessoalRenan com os amigos da universidade — Foto: Arquivo Pessoal

"Coloquei no Google: cursos de teatro musical na Irlanda. Achei uma instituição que iria abrir, em 2016, a primeira turma do curso de Teatro Musical. Mandei e-mail e eles responderam dizendo que as vagas tinham se esgotado. Mas, me pediram para enviar vídeo cantando”, lembra.

Na mesma hora, o jovem gravou o vídeo com um amigo e enviou. Depois de duas semanas, recebeu a notícias: tinha conseguido. “Eles me perguntaram se eu podia ir em setembro de 2016. Pensei: agora ninguém me segura. Mudei todo meu plano e comprei as passagens”, conta.

Essa foi a primeira vez de Renan fora do Brasil, a primeira vez andando de avião e o primeiro passo rumo ao sonho que tanto esperava.

 
Antes da universidade, Renan nunca havia viajado para o exterior nem andado de avião — Foto: Arquivo PessoalAntes da universidade, Renan nunca havia viajado para o exterior nem andado de avião — Foto: Arquivo Pessoal
 

Hoje, três anos depois de entrar na universidade, o rapaz faz sucesso no país e se destaca como o primeiro brasileiro da primeira turma de Teatro Musical da American College Dublin.

 

“Pelo fato de eu estar na primeira turma, estou fazendo história. Sou o primeiro aluno brasileiro. Daqui, eu consegui o visto americano e fui apresentar nos Estados Unidos. Tive várias oportunidades. Fiz musical na América, na Irlanda, fiz uma tour com um tenor da Europa, já cantei para a Rainha da Inglaterra a até pro Papa...Surreal!”, conta.

 

 
Neste ano, Renan foi o ganhador do prêmio de 'Melhor Performance do Ano' — Foto: Arquivo PessoalNeste ano, Renan foi o ganhador do prêmio de 'Melhor Performance do Ano' — Foto: Arquivo Pessoal

Ainda, neste ano, Renan foi premiado na universidade e não consegue descrever em palavras a experiência vivida nestes três anos. “Tá sendo incrível. É outro mundo, eu nunca imaginei que eu iria conseguir fazer o que eu sonho em fazer em um país que não é o meu. Ser reconhecido fora é incrível! Ganhei um prêmio como melhor performance em 2018”, diz.

Para a mãe Cleide, Renan é um exemplo. Há três anos sem ver o filho, ela não vê a hora de poder abraçá-lo.

 

"Meu filho é um guerreiro. A gente deixava de comprar roupa, de comprar as coisas que a gente precisava. Pra ele conseguir guardar o dinheiro dele. É muito gratificante, hoje a gente olha pra tudo e agradece a Deus", diz.

 

Retorno ao Brasil

Há 3 anos sem ver a família, Renan desembarcou no Brasil na última quinta-feira (13). Ele participará neste domingo (16), em Marília, do novo espetáculo da Escola de Artes Batuke do Pé, no Teatro Municipal.

 

"Nós conversamos todos os dias, sem falta, por três anos. Tudo pela internet. E agora ele pôde voltar para visitar então, é só alegria", conta Cleide.

 

 
Renan ao lado da mãe, Cleide — Foto: Arquivo PessoalRenan ao lado da mãe, Cleide — Foto: Arquivo Pessoal
 
- Por Júlia Martins* , G1 Bauru e Marília - 
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