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Justiça solta inocente preso por suspeita de participar da morte de família no ABC

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Justiça solta inocente preso por suspeita de participar da morte de família no ABC

Michael dos Anjos ficou três dias detido injustamente. Um dos quatro presos pelo crime o acusou para proteger irmão, que é procurado, e mentiu sobre um sexto suspeito.

Foto - Flaviane Gonçalves, o filho Juan, o marido Romuyiki e a filha, Ana Flávia, que está presa - R7 Reprodução/Facebok

A Justiça soltou nesta quinta-feira (6) um homem inocente que havia sido preso pela Polícia Civil por suspeita de participar do roubo e dos assassinatos do casal de empresários Romuyuki e Flaviana Gonçalves e do filho adolescente deles Juan Victor no ABC Paulista. A família foi encontrada carbonizada na madrugada de 28 de janeiro.

Em meio a essa reviravolta, foi decretada a prisão do verdadeiro suspeito, que está foragido e é procurado pela polícia.

 

“Graças a Deus, tô na rua, tô com a minha família, tô me deslocando com minha esposa aqui do lado agora e... viver minha vida, né?”, falou Michael dos Anjos nesta sexta-feira (7) em entrevista por telefone à TV Globo depois de passar três dias na cadeia de São Caetano do Sul, no ABC Paulista. "Doeu ser acusado de uma coisa que você não fez. Vou cuidar da minha família."

 

Michael havia sido preso depois de ter sido citado em depoimento por Juliano de Oliveira Ramos Júnior, que confessou ter participado do crime. No entanto, depois que o próprio Juliano admitiu ter mentido para proteger um irmão, a polícia pediu para soltar Michael. A Justiça, então, determinou a soltura.

A família assassinada morava em um condomínio fechado em Santo André, também no ABC. Os três foram torturados e mortos, segundo a investigação.

A polícia investiga o envolvimento de cinco pessoas no crime. Entre elas, estão a outra filha do casal, Anaflávia Martins Meneses Gonçalves, e a namorada dela, Carina Ramos de Abreu. As duas estão detidas, assim Juliano e Guilherme Ramos da SilvaJonathan Fagundes Ramos, irmão de Juliano, está foragido.

Nesta terça-feira (4), a polícia disse não ter mais dúvidas de que o grupo está envolvido nos assassinatos e de que Anaflávia e Carina planejaram o crime. Falta esclarecer, contudo, a motivação.

Inicialmente, Anaflávia e Carina negaram qualquer envolvimento no caso. No entanto, depois que Juliano as acusou de participação no roubo e nos assassinatos, elas confessaram o assalto, mas negaram os homicídios.

Procurada pela comentar a injusta prisão de Michael, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou nota para confirmar, durante a investigação, foi concluído que ele era inocente.

"O caso está em segredo de Justiça e segue em investigação pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São Bernardo do Campo. No curso das investigações foram apuradas informações que levaram a autoridade policial a solicitar a revogação da prisão temporária de um dos suspeitos, nos termos da Lei 7.960/89", informa o comunicado.

 
Romuyuki, Flaviana e Juan foram encontrados carbonizados no ABC — Foto: Reprodução/TV GloboRomuyuki, Flaviana e Juan foram encontrados carbonizados no ABC — Foto: Reprodução/TV Globo
 

O homem conversou com a TV Globo sobre a prisão. Leia a entrevista abaixo:

Você conhece os suspeitos?

Michael – Não conheço nenhum deles. Eu estive preso com o Juliano, conheci ele um pouco, mas também não me interessou muito, porque ele me colocou numa situação difícil. Só eu sei como fui tratado, mas, graças a Deus, tô bem, tô com minha família.

Foi solto quando?

Michael – Ontem [quinta-feira] à noite.

E quando recebeu a notícia de que seria solto?

Michael – Minha família acreditou, colocou meu nome em orações. É uma coisa muito séria que estava sendo acusado, não consigo entender o ser humano que faz esse tipo de coisa e tava sendo visto como monstro. Pediram desculpa pra mim.

Quem pediu desculpa?

Michael – A equipe que fez apreensão, porque são humanos. Humanos erram também – mesmo errando, foram justos... viram que não era eu. Falaram que estavam fazendo o trabalho deles. Quem colocou meu nome foi o menino na encrenca deles, querendo ou não, no passado eu tive uma passagem, mas a passagem de muito tempo atrás, tanto que naquela foto [de quando foi fichado por tráfico de drogas e receptação] eu tô magrinho [atualmente ganhou mais peso]. Quero que a Justiça seja feita.

Pretende processar alguém?

Michael – Não, não quero nada de ninguém. Pra mim, não interessa. Só tenho [a] agradecer por ter desvendado, e que [a polícia] ache a pessoa certa.

Como foram os três dias preso?

Michael – Foi difícil, um monte de hora algemado. Quando viram a foto do posto, já mudaram o tratamento, porque viram que não era eu.

 
Polícia pede a soltura de um suspeito na morte de família do ABCPolícia pede a soltura de um suspeito na morte de família do ABC 

 

Três dias preso 

Michael ficou três dias detido injustamente depois que Juliano de Oliveira Ramos Júnior, um dos outros quatro presos, o acusou de envolvimento nos crimes.

Juliano inicialmente incriminou Michael, mas depois admitiu que inventou uma história falsa sobre um sexto suspeito porque quis proteger o irmão, Jonathan Fagundes Ramos, o verdadeiro suspeito.

Jonathan fugiu após os crimes e, até a última atualização desta reportagem, era procurado pela polícia.

Os crimes 

Segundo a investigação, o grupo planejou roubar a casa da família em Santo André, na noite do dia 27 de janeiro. Os corpos foram localizados carbonizados no porta-mala do carro das vítimas, na madrugada do dia 28 de janeiro, em São Bernardo do Campo.

De acordo com a polícia, laudo pericial apontou que as vítimas foram mortas com golpes na cabeça, possivelmente por meio de coronhadas de uma arma de fogo.

Segundo a polícia, Jonathan comprou gasolina num posto de combustíveis, ateou fogo no carro da família em São Bernardo e ainda ajudou na fuga da quadrilha. Ele teria usado seu veículo para dar carona ao grupo.

Investigação 

A polícia investiga essas duas hipóteses para a morte: de que pai e filho foram mortos em Santo André e a mãe em São Bernardo. E ainda de que os três tenham sido mortos em Santo André.

A investigação cogita a possibilidade de que Romuyuki tenha sido agredido com coronhadas na cabeça, desmaiado e levado os bandidos a pensaram que ele morreu. Nisso, Flaviana e Carina discutiram com eles e o empresário acordou e percebeu que tudo.

Ao notar que se tratava de uma farsa, o grupo se reuniu e, por maioria, decidiu matar a família, de acordo com a polícia.

O que cada um dos presos fez ainda é apurado pelos policiais.

- Por Sabina Simonato, Willian Okada e Kleber Tomaz, Jornal Hoje e G1 SP — São Paulo 

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