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Médicos relataram que lesões em bebê morto são incompatíveis com queda, diz conselheira tutelar

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Médicos relataram que lesões em bebê morto são incompatíveis com queda, diz conselheira tutelar

Informação consta no boletim de ocorrência sobre a morte da menina de 2 anos cujo padrasto relatou queda de uma cama em Marília (SP). Polícia criticou a retirada dos órgãos autorizada pela família.

Versão de que a garota Isabelle (no detalhe) teria caído da cama de seu quarto foi contestada por médicos que a atenderam (Foto: Reprodução / TV TEM)

O padrasto da bebê de apenas 2 anos que morreu em Marília (SP) após dar entrada no hospital com várias fraturas foi preso no final da tarde desta sexta-feira (29). Israel Luiz Vieira teve a prisão temporária determinada e acabou preso ao se apresentar para depor. A defesa do padrasto não quis se manifestar sobre o caso.

(Correção: o G1 errou ao informar que a criança teve várias fraturas. Um boletim de ocorrência foi registrado citando o politraumatismo, porém, um laudo pedido pela polícia não confirmou os ferimentos. A informação foi corrigida às 21h21.)

A Polícia Civil de Marília (SP) investiga as circunstâncias da morte da garota Isabelle Fernandes, de 2 anos, que morreu na última quarta-feira (27) após ser internada no último sábado (23) com várias fraturas pelo corpo e traumatismo craniano.

O padrasto, que cuidadava da menina no sábado, alega que ela passou mal após ingerir medicamentos e acabou caindo da cama, mas, depois ele mudou a versão e disse que na verdade ela teria caído de uma escada. No entanto, médicos que a atenderam afirmam que a menina tinha lesões incompatíveis com essa alegação.

A mãe e a avó da bebê já foram ouvidas pela polícia, que em breve deve ouvir o depoimento do padrasto, com quem a criança estava quando foi levada para o hospital.

 
Lesões não são de queda, diz médica que atendeu criança que morreu em Marília

Lesões não são de queda, diz médica que atendeu criança que morreu em Marília

O boletim de ocorrência registrado pelo Conselho Tutelar traz a versão de uma médica que atendeu a bebê informando que as lesões não poderiam ter sido causadas por uma queda. Isabelle ficou internada três dias na UTI do Hospital Materno Infantil, mas o quadro piorou e provocou complicações neurológicas graves e irreversíveis, de acordo com o hospital.

 

"Eles [médicos] relataram para mim que a questão da medicação não era compatível com os ferimentos que ela tinha, fratura, hematomas, e que havia suspeita de maus-tratos, negligência bem grave", disse a conselheira tutelar Rosimeire Moreno Leal de Oliveira.

 

Segundo a mãe de Isabelle, que morava há apenas 20 dias em um conjunto habitacional na zona sul de Marília, junto com a filha e o padrasto da menina, no último sábado ela foi trabalhar e deixou a criança em casa com seu companheiro.

 
A conselheira tutelar Rosimeire Moreno Leal de Oliveira, que registrou o boletim de ocorrência, diz que médicos indicaram possível caso de

A conselheira tutelar Rosimeire Moreno Leal de Oliveira, que registrou o boletim de ocorrência, diz que médicos indicaram possível caso de "maus-tratos e negligência bem grave" (Foto: Reprodução / TV TEM)

Em seu depoimento à polícia, a mãe de Isabelle conta que o padrasto ligou no trabalho dela para relatar que a menina havia ingerido alguns remédios e não estava bem. Uma hora depois, voltou a ligar informando que garota estava com “olho virado e tremendo”.

Ainda segundo o depoimento da mãe da menina, o padrasto logo depois disse ainda que a menina havia caído da cama e depois teria dito que queda foi de uma escada.

Isabele deu entrada no hospital com suspeita de intoxicação por medicamentos, mas a história não convenceu os médicos, que perceberam alguns ferimentos espalhados pelo corpo. O Conselho Tutelar foi acionado e, diante das suspeitas, registrou um boletim de ocorrência.

 

Polêmica na doação de órgãos

A morte cerebral de Isabelle foi constatada na terça-feira (27) e confirmada na quarta (28) pela equipe médica. A família autorizou a doação dos órgãos, que foram retirados na manhã desta quinta.

 
Criança, morre, Marília, Isabelle, Hospital Materno Infantil (Foto: Reprodução / TV TEM)

No entanto, de acordo com os delegados que investigam o caso, o hospital não poderia ter feito o procedimento sem autorização da polícia, já que a retirada dos órgãos pode comprometer os exames realizados para descobrir o que provocou a morte da criança. O laudo feito pela perícia deve ficar pronto em até dez dias.

Em nota, o hospital informou que realizou os procedimentos durante a morte encefálica da menina, que não é considerada morte. Por isso, seguiu os protocolos normais que são feitos nessas condições (procedimentos para doação de órgãos), para só depois comunicar à polícia quando de fato aconteceu a morte.

- Por G1 Bauru e Marília - 29/09/2017

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