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Menor acorrentado pela mãe deve ficar 9 meses internado: 'Grau de dependência forte', diz dono de clínica

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Menor acorrentado pela mãe deve ficar 9 meses internado: 'Grau de dependência forte', diz dono de clínica

Mulher ficou acorrentada ao filho viciado em crack por três dias em Itapetininga (SP) até conseguir tratamento. Após receber fotos, dono de clínica em Bady Bassitt aceitou internar garoto.

Foto capa - Adolescente de 17 anos é acorrentado pela mãe para não usar drogas em Itapetininga (Foto: Arquivo Pessoal)

O adolescente de 17 anos, que ficou acorrentado à mãe por três dias devido ao vício em crack, em Itapetininga (SP), deve ficar internado por pelo menos nove meses em uma clínica de recuperação, em Bady Bassitt (SP), segundo o responsável pelo local, Pedro Henrique Ribeiro Araújo. Em entrevista ao G1, o dono da clínica afirmou que o grau de dependência do jovem é forte, mas que ele está bem e medicado.

"Geralmente, o tratamento dura de seis a nove meses, mas ele chegou com um grau de dependência química muito forte. Por isso, a previsão é de pelo menos nove meses. Em três meses o adolescente se recupera da dependência física, mas a dependência emocional e mental demora mais. A recuperação do trauma, o pesadelo e a obsessão demoram cerca de seis meses. A gente conversou e ele já se diz arrependido de ter deixado a avó cheia de contas e sem nada, o que é um bom sinal", afirma.

 
Adolescente em conversa com o coordenador terapêutico da clínica de recuperação (Foto: Arquivo pessoal)Adolescente em conversa com o coordenador terapêutico da clínica de recuperação (Foto: Arquivo pessoal)
 

Araújo diz que a abstinência só deve aparecer daqui a uma semana. "A abstinência não virá com o pedido da droga, mas com a vontade de ir embora. Ele irá dizer que está com saudade da mãe e deve chorar bastante, mas o remédio tira a ansiedade", explica.

Para o dono da clínica o adolescente tem chance de se recuperar. "A gente trabalha com a trilogia: igreja, conscientização (grupos de autoajuda) e laborterapia. No nosso caso, o trabalho será ajudar durante 50 minutos com os afazeres de casa. Se ele praticar o que aprendeu ao sair da clínica, com certeza não terá recaída", diz.

Antes de sair da clínica o menor passará por um trabalho de reinserção social, em que trabalhará e estudará de forma monitorada. Araújo diz que a mãe do adolescente só poderá visitá-lo no segundo domingo do próximo mês.

Araújo acredita que o adolescente voltará recuperado após o período em que vai ficar na clínica. “A gente vai entregá-lo recuperado. O problema das recaídas é não seguir a trilogia que ensinamos. Sofrem recaídas aqueles que não vivencieam o que aprenderam", explica.

 
Mulher fica acorrentada três dias com o filho que é viciado em crack (Foto: Arquivo pessoal)Mulher fica acorrentada três dias com o filho que é viciado em crack (Foto: Arquivo pessoal)
 

‘Sensibilizado’

O dono da clínica afirma que aceitou internar o adolescente após receber fotos e percerber o desespero da mãe, que se acorrentou ao filho até conseguir uma clínica e, assim, evitar que o filho usasse o crack.

Segundo Araújo, dos 60 pacientes internados no local, pelo menos 10 são para vagas sociais, como a do caso do adolescente. O tratamento será gratuito. A família teve de arcar apenas com o transporte do adolescente até a clínica e a entrada da internação.

‘Melhor acorrentar do que ver ele morto’

Mãe acorrenta filho viciado em crack em Itapetininga até conseguir tratamentoMãe acorrenta filho viciado em crack em Itapetininga até conseguir tratamento

 

A dona de casa afirmou que encontrou em uma corrente de seis metros a alternativa para salvar o filho e tentar a internação em uma clínica. “Eu fiz de tudo e nada funcionou. Procurei a polícia, procurei o Caps, mas ele não melhorou. Não adiantou. Foi então que, depois de saber que ele era ameaçado por vizinhos por furtar objetos para comprar droga que resolvi acorrentá-lo e não deixá-lo sair. Melhor acorrentar do que ver ele morto. Eu faria de novo se fosse preciso”, afirma.

A mulher contou que morava com o adolescente e outros quatro filhos em Itapetininga, quando há três meses o marido conseguiu um emprego no interior de Mato Grosso do Sul, para onde mudaram. O garoto chegou a ir junto, mas, segundo a mãe, por apresentar problemas com drogas e bebidas, voltou a morar com a avó em Itapetininga. De acordo com a mãe, o filho teria passado a furtar vizinhos e até a própria avó para comprar crack.

Ainda segundo a mulher, ela registrou os dois acorrentados para enviar as fotos ao marido e tentar tratamento em uma clínica. Foi então que uma clínica da região de São José do Rio Preto resolveu internar o adolescente.

“Eu tinha fé que ia conseguir. Eu falei para meu esposo que ia voltar só quando alguma coisa fosse feita. Ele concordou e me ajudou. Foi triste vê-lo indo para a clínica. Ele estava bravo comigo, mas eu espero que volte recuperado. Eu vou até o fim para lutar pelo meu filho, porque é triste demais ver ele desse jeito. Ele vai ser curado, tenho fé. Um dia ele vai parar”, afirma.

 
Mulher e filho ficaram acorrentados dentro de casa por três dias (Foto: Cláudio Nascimento/TV TEM)Mulher e filho ficaram acorrentados dentro de casa por três dias (Foto: Cláudio Nascimento/TV TEM)
 
- Por G1 Rio Preto e Araçatuba - 
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