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Meu aluguel pode cair? Veja o que significa a deflação do IGP-M no ano

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Meu aluguel pode cair? Veja o que significa a deflação do IGP-M no ano

Apesar de índice registrar a segunda taxa anual mais baixa em 28 anos, a negociação de preço tem maior peso atualmente devido à sobra de imóveis no mercado, diz economista da FGV.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado para reajustar a maioria dos contratos imobiliários, registrou deflação de 0,52% no ano de 2017 - a primeira anual desde 2009 (-1,72%) e a segunda taxa anual mais baixa em 28 anos, desde o início da série histórica, em 1989. No entanto, esse índice não traz grandes impactos no preço do aluguel.

 

De acordo com André Braz, economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do FGV IBRE, que divulgou o índice, atualmente a queda do preço do aluguel está mais associada à recessão econômica e à consequente queda da demanda por imóveis do que ao indexador usado no reajuste. E não são todos os contratos que usam o IGP-M como índice de referência para reajustar os contratos.

“O que está contando mais é a oferta grande de imóveis, o que viabiliza o inquilino de negociar o preço e pagar menos. Por isso, o peso do IGP-M nas negociações diminuiu. Ele é usado mais para manter o equilíbrio financeiro do imóvel”, explica Braz.

 

O economista da FGV considera que a economia gerada por essa deflação é pequena. Segundo ele, com a grande disponibilidade de imóveis no mercado, é possível conseguir preços mais baratos e com qualidade superior no mesmo bairro ou até na mesma rua. E esse é o melhor argumento para a negociação.

“Se eu estivesse insatisfeito com o aluguel nem cobraria por essa redução do IGP-M no imóvel. É bom guardar isso como uma moeda de troca no futuro, argumentando que não exigiu a queda de preço na época para depois pedir um bom desconto para ficar no imóvel”, diz.

 

Além do IGP-M, podem ser usados outros indexadores para reajuste do aluguel como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o Índice Geral de Preços (IGP).

“O IGP-M foi criado em 1989 e até 1994 em geral acumulava aumentos maiores que outros índices de inflação, isso fez com que muitos advogados usassem esse índice nos contratos, mas ele não foi desenvolvido especificamente para essa finalidade”, explica Braz.
 
O economista inclusive considera o IPCA melhor que o IGP-M para reajustar os aluguéis, pois ele é usado também para reajustar os salários, já que o poder de compra não é prejudicado.

 

Mas o IGP-M ainda é o índice mais conhecido para reajustar o aluguel anualmente. Segundo Braz, essa deflação de 0,52% acumulada em 2017 será usada nos contratos que sofrerão reajuste em janeiro. Se o contrato for reajustado em fevereiro, o índice usado será o acumulado dos 12 meses terminado em janeiro, e assim sucessivamente.

Para ele, a deflação de 0,52% não significará quase nada no preço final. “O IGP-M está no contrato, pode usar ou não. Se o proprietário for rigoroso e quiser aplicar, o inquilino pode negociar para ganhar mais desconto”, diz.

Braz prevê para 2018 uma aceleração da inflação com o reaquecimento da economia e consequente aumento do consumo e dos preços. “E a cada mês que a gente avançar, no final do ano a gente poderá ver uma inflação acumulada maior, e os números deverão ser crescentes”, afirma.

- G1 -

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