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Militares chegam ao 7 de Setembro com prestígio em alta no governo

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Militares chegam ao 7 de Setembro com prestígio em alta no governo

A corporação chega ao aniversário da Independência em alta. Quer por colaborarem em missões humanitárias e de segurança, quer pelo Ministério da Defesa deter um dos maiores orçamentos do governo federal

Desde a volta de um presidente civil ao poder, em 1985, os militares não chegavam a um 7 de Setembro tão fortes e prestigiados como agora. Isso a partir de qualquer avaliação. Do ponto de vista orçamentário, por exemplo, o Ministério da Defesa — comandado por um general pela primeira vez desde a criação, em 1999 — ocupa um dos primeiros lugares nos pagamentos realizados no primeiro semestre deste ano. Os projetos estratégicos, por mais que apresentem algum atraso, são mantidos como prioridade na Esplanada. Se a análise for feita a partir de missões governamentais, a intervenção federal no Rio de Janeiro e as operações humanitárias e de segurança na fronteira em Roraima, mesmo alvos de críticas sobre a eficiência, mostram a dependência do governo no trabalho do Exército. Os índices da aprovação das Forças Armadas, por sua vez, se mantêm em alta.

A partir de cruzamento de dados orçamentários e entrevistas com acadêmicos e políticos, o Correio montou um quadro sobre o poder dos militares na democracia. A pasta da Defesa está em segundo lugar nos investimentos pagos entre janeiro e junho deste ano, com R$ 3,9 bilhões, ultrapassando, inclusive, os números do Ministério da Saúde, com R$ 3,8 bilhões, segundo dados produzidos pela Associação Contas Abertas a pedido da reportagem. “A explicação está no programa de construção de corvetas classe Tamandaré”, disse o secretário-geral Gil Castello Branco. Apenas para os navios foram desembolsados R$ 1,6 bilhão. No ranking geral de investimentos, a Defesa perdeu apenas para o Ministério dos Transportes.

“Os dados mostram que, apesar da crise enfrentada pelo país, os militares estão em alta, nenhum presidente quer enfrentar”, disse Castello Branco. O próprio projeto inicial da reforma da Previdência preparado pelo governo Michel Temer — e hoje esquecido pelo Congresso — preservou os integrantes das Forças Armadas. Enquanto a última parcela do reajuste dos civis foi adiada por medida provisória para 2020, o pessoal da caserna conseguiu manter os valores. “A questão não é ter receio dos militares, mas entender a importância de um trabalho estratégico”, afirma um integrante do alto-comando das Forças Armadas. Além das missões no Rio e em Rondônia, os militares foram solicitados em Natal, durante a greve da Polícia Militar, em janeiro, e na greve dos caminhoneiros, em maio.

Estratégia

Os projetos estratégicos das três Forças foram mantidos, mesmo com atraso. Na Marinha, o submarino nuclear; na Aeronáutica, os caças Gripen e o KC 390; e no Exército, o aparelhamento da defesa cibernética e do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). A um mês das eleições, 54 integrantes reformados do Exército disputam uma vaga no Congresso, incluindo o ex-capitão Jair Bolsonaro, esfaqueado ontem em Juiz de Fora (MG).

“A disputa política de candidatos militares é do jogo democrático. Mas é importante lembrar que todos os avanços que eles tiveram em relação a orçamento e projetos ocorreu nos últimos governos. E eles sempre atuaram de forma independente, fosse qual fosse o governo”, diz Arthur Trindade, sociólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB). Trindade enumera também a participação no Haiti e na segurança das Olimpíadas. “Eles estão no melhor momento. A contradição é que, ao buscar um lado na política, podem correr riscos em relação à independência”, afirma.

Procurada, a Marinha afirmou que o “projeto das Corvetas Classe Tamandaré” não influenciou no orçamento, “pois ainda não se tem a decisão final e um contrato formalizado”.

- Correio Brasiliense - Leonardo Cavalcanti - postado em 07/09/2018 07:00

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