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Pacientes de hemodiálise precisam 'morar' no hospital para garantir tratamento

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Pacientes de hemodiálise precisam 'morar' no hospital para garantir tratamento

Secretaria Estadual de Saúde disse que as 76 máquinas de hemodiálise de Bauru estão ocupadas. 'Se formos embora e passarmos mal, nós temos que voltar e aí somos os últimos da fila.'

A falta de máquinas de hemodiálise tem causado transtornos a pacientes com problema crônico nos rins em Bauru (SP). Eles precisam ‘morar’ no hospital ou encarar a estrada pelo menos três vezes por semana. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Bauru tem 76 máquinas de hemodiálise e todas estão ocupadas. O pior é que não há nem previsão de novos atendimentos, porque uma vaga só é aberta quando algum paciente morre ou consegue o transplante de rim, o que não é nada fácil.

A dona de casa Valderiza Maria da Silva conta que há três meses ela vai ao Hospital Estadual todos os dias para visitar a filha Tainá, de 22 anos, que tem problemas nos rins e precisa fazer o tratamento de hemodiálise. Mas está em uma fila de espera que parece não ter fim. O desespero dela é ainda maior porque a filha tem síndrome de down e não está acostumada a ficar sem os pais por perto. "Ela está percebendo que está demorando para ela ir embora, então ela chora muito. Faz três meses que ela espera pela vaga sem voltar para casa. Sempre pergunto dessa vaga, perguntam para um, para outro, mas nunca dão uma resposta concreta para mim.”

Pacientes de hemodiálise precisam Tainá de 22 anos está morando no hospital para fazer tratamento (Foto: Reprodução/TV TEM)

Em Bauru, 14 pessoas esperam por uma cadeira de hemodiálise nos hospitais Estadual e de Base. São pacientes que, como a Tainá, descobriram recentemente que são doentes renais crônicos. Com uma câmera escondida, um produtor da TV TEM entrou no Hospital Estadual e encontrou Tainá descansando em um dos quartos depois de uma sessão emergencial de hemodiálise, mas outros pacientes que encaram o mesmo problema contaram sobre a espera.

Produtor: Há quanto tempo você está aí?

Paciente: 70 dias

Produtor: Quanto?

Paciente: 70. Faz mais de dois meses que eu estou aqui já.

Produtor: Desde o começo do ano? Tem que aguentar?

Paciente: Tem que aguentar.

Produtor: O senhor pegou uma infecção pelo tempo que ficou aqui?

Paciente: Por causa disso aqui – mostrando o cateter.

Mesmo com riscos à saúde, o hospital mantém os pacientes internados para garantir os leitos caso eles precisem fazer a hemodiálise com emergência. No HE, são quatro máquinas de diálise exclusivas para quem está internado. "O hospital não está segurando a gente. Se a gente quiser ir embora, nós podemos ir, só que se nós formos embora e passarmos mal, nós temos que voltar aqui. Aí nós somos os últimos da fila", explica um dos pacientes ao produtor da TV TEM.

Só no estado de São Paulo, mais de 10 mil pessoas estão na lista de espera por um rim, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Aos pacientes de Bauru, o que resta então é procurar o tratamento em hospitais da região. Em Jaú, tem 37 máquinas em dois hospitais – no Amaral Carvalho e na Santa Casa. Em promissão, mais 22 no Hospital Geral.

Mas por causa da distância e do cansaço da viagem muitos recusam a vaga. É que o tratamento é feito três vezes por semana e dura quatro horas. Essa rotina dolorosa fez a Valderiza, por exemplo, rejeitar uma vaga em Promissão. "Eu moro, bem dizer, em cima do estadual. Então, para mim, sair do bairro Tangarás para ir para promissão é muito longe, ia ser muito gasto também."

Atendimento ampliado

Quem espera pela hemodiálise em Bauru quer que o atendimento seja ampliado. Atualmente, as máquinas funcionam em três turnos e atendem 209 pessoas. Os pacientes pedem que seja criado um quarto turno, durante a madrugada. "O nosso intuito aqui é nós conseguirmos o quarto turno. Nós não temos nada contra o hospital, é contra a Secretaria do Estado que tem que achar uma solução para nós”, reclama um paciente ao produtor da TV TEM.

A Secretaria de Saúde diz que um quarto turno seria inviável porque as máquinas que filtram o sangue dos pacientes também precisam de manutenção.

O secretário adjunto da saúde Eduardo Ribeiro Adriano, que esteve em Bauru no fim de semana para o megamutirão de exames, disse que o estado tem o número suficiente de vagas, mas alguns pacientes precisariam viajar para isso.

"O governo tem uma forte atuação na prestação de serviços para hemodiálise, são 6 centros na região que totalizam mais de 1000 vagas de hemodiálise, sendo que dessas mil vagas, 870, 880 vagas são utilizadas. Isso significa que nós temos um número suficiente de vagas, no entanto um grande contingente de pacientes daqui da região de Bauru acabam por apresentar uma dificuldade para aderir ao tratamento de hemodiálise ambulatorial fora do município de Bauru, onde existem vagas a serem utilizadas. Então o nosso desafio é poder, junto ao Ministério da Saúde, fazer a liberação de mais 48 habilitações de hemodiálise para poder ampliar essa oferta, mas esse, hoje, é um desafio do estado de São Paulo de convencimento junto ao Ministério da Saúde para ampliar essa oferta de serviços”.

O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru esclarece que atualmente a região conta com seis serviços para tratamento de hemodiálise: Hospital Estadual de Bauru, Hospital de Base de Bauru, Hospital Geral de Promissão, Santa Casa de Jaú, Santa Casa de Avaré e HC Unesp Botucatu.

G1 Bauru e Marília

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