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Pai faz aula de balé com a filha para passar mais tempo com ela

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Pai faz aula de balé com a filha para passar mais tempo com ela

Bailarino profissional, Raphael Najan tem uma rotina de trabalho agitada e encontrou essa alternativa para ficar perto de Luana, de 9 anos; ‘Eu acho lindo’, diz Renata Labanca, mulher dele e mãe da menina

Foto) Luana com o pai Raphael na aula de balé. Foto: Renata Labanca

 

Há algumas semanas, conheci a história da família Najan no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Globo, e fiquei encantada. Um pai que tem um dia a dia atribulado e que, por isso, faz aulas de balé com a filha para passar mais tempo com ela. Em meio a tantos casos tristes de pais que abrem mão de conviver com seus filhos e que se tornam figuras ausentes na vida deles, é reconfortante ver casos como esse. O blog Família Plural foi atrás dessa história e entrevistou os Najan, que moram no Rio.

Formado em Educação Física, Raphael Najan, de 33 anos, que também é ator e bailarino, começa a trabalhar de manhã, bem cedo, como personal trainer em uma academia, e o restante de seu dia é pontuado por ensaios, testes, faculdade de teatro e trabalhos como ator e dançarino. Sua filha, Luana, de 9 anos, faz balé desde os 2 na mesmo lugar onde Raphael se formou, em 2008 – e onde ele frequenta aulas de dança até hoje –: o tradicional Centro de Dança Rio. “Os horários das aulas da Luana começaram a ficar muito próximos dos meus. Falei: ‘filha, vamos fazer aula juntos de vez em quando?’. E ela: ‘papai, não acredito que você vai fazer aula comigo!’. E ela adora. Ela não tem vergonha, pelo contrário: ela tem orgulho”, conta Raphael, em entrevista ao blog. “Acho que ela gosta de ter o pai ali, ela fica radiante. E como a professora dela é minha professora, tenho mais abertura também na escola.

Como Raphael faz parte de uma turma profissional e a filha, de iniciantes, os dois não conseguem fazer aulas sempre juntos, mas, sempre que dá, o pai entra na sala da filha, mesmo que seja só para fazer uma parte da aula com ela. “Como muitas vezes eu não consigo encontrar a Luana em casa, eu a encontro na aula de balé, para a gente estar próximo”, diz ele, que se dedica à dança desde os 14 anos de idade e que decidiu se profissionalizar por volta dos 20 anos. “É uma forma que encontrei de estar perto dela”, completa.

E a própria Luana garante que fica feliz com a presença do pai. “Gosto muito de balé, e achei muito legal ele fazer aula comigo. Minhas amigas do balé gostam, acham legal”, diz ela, ao blog.

Luana e Raphael durante aula com a professora Andréa Sales Tavares, que dá aula para os dois, no Centro de Dança Rio. Foto: Renata Labanca
 

Casado há 10 anos com Renata Labanca, de 37 anos, Raphael é pai ainda de Miguel, de 6, e também faz questão de participar da rotina do filho. Pelo menino, tudo bem o que o pai faz com a irmã, mas Raphael diz que o compensa em casa. “Ele gosta muito de espada, então a gente luta, assisto com ele a um desenho que ele gosta. É estar junto. Sempre acreditei que ser pai não é só o título”, diz.

Renata conta que gostou muito quando o marido sugeriu participar das aulas de balé da filha. “Ela adora, fica superfeliz, porque é o único pai da escola fazendo aula, então ela se sente superespecial. Eu acho lindo. Acho que ela vê nele uma inspiração, um modelo a seguir.”

E Renata fala ainda sobre esse lado paizão de Raphael. “Ele foi pai muito cedo. Quando a Luana nasceu, ele tinha 23 anos, estava se formando na faculdade, corria atrás do lado profissional. Como ele tem uns horários meio malucos, ou ele se desdobra ou não vê as crianças. E ele tem essa personalidade de fazer muita coisa ao mesmo tempo. Então, acaba que ele dá conta de tudo: um dia leva ela na escola, mas não dá para levar o Miguel; outro dia, ele vai pegar o Miguel na escola, para ele não ficar triste; aí ele faz meia hora de aula de balé com ela. Raphael vai encaixando a rotina dele no das crianças para poder conviver, senão não ia vê-las quase nunca.”

Com formação em Biologia, Renata também foi modelo e apresentadora de TV, mas, depois do nascimento dos filhos, decidiu se dedicar totalmente às crianças. “Fiquei cuidando só deles, deixei um pouco minha vida de lado, não tinha como. Como o Raphael está muito na rua, eu não teria e não tenho coragem de deixá-los com alguém”, explica ela. “Tenho uma lojinha de roupas de ginástica, mas a maior parte do meu tempo é com eles. Sou aquela mãe que leva e busca na escola, que faz almoço, leva para o balé…”

A família reunida: Luana e Miguel com os pais Raphael e Renata. Foto: Arquivo pessoal
 

Renata conta que há quem aprove e há também quem não concorde com a decisão que ela tomou após ter seus filhos. “Minha mãe fez isso comigo, então, para mim foi meio que natural”, diz. “Sou formada em Biologia, mas não exerci. Quando eu estava me formando, do nada, virei apresentadora do Sportv, fiquei direto na televisão e depois modelando. Aí acabei que nunca trabalhei com Biologia, mas, quando eles crescerem um pouco, penso em retomar.”

Raphael não teve o mesmo modelo de família que Renata teve em casa. E, por isso, diz que adotou o caminho inverso com os filhos. “Com 12 anos, eu já morava com meu pai e nunca mais morei com minha mãe. Ela ficou em Fortaleza e não tinha preocupação (com ele e com a irmã mais velha). Ela acabou se afastando. Sempre achei que tudo é relação. Relação é uma coisa que a gente cria, que alimenta todo santo dia. Sou aquele pai que pergunta como foi na escola. Quero conhecer os amigos, quero saber o que é importante. Lógico que a gente erra, mas minha ideia de pai é essa de pai que está junto, que faz parte da vida do filho.”

POR ADRIANA DEL RE

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