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Polícia faz acareação sobre desvio milionário em Santa Cruz do Rio Pardo

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Polícia faz acareação sobre desvio milionário em Santa Cruz do Rio Pardo

Ex-secretário de finanças e diretor de contabilidade prestaram depoimento. Objetivo é saber de quem era a responsabilidade em fiscalizar a tesouraria

A Polícia Civil de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) ouviu nesta quarta-feira (22) depoimentos de pessoas que trabalharam com Sueli Feitosa, a ex-tesoureira da prefeitura suspeita de desviar aproximadamente R$ 7 milhões dos cofres públicos. Prestaram depoimento, o ex-secretário de finanças e o diretor de contabilidade do município.

A primeira parte do depoimento do ex-secretário de finanças Armando Cunha durou três horas. Em seguida, foi feita uma acareação entre as declarações dele e do diretor de contabilidade da prefeitura Emerson Diniz, que também foi chamado para depor.

Foi na pasta de finanças que trabalhava Sueli Feitosa, que confessou ter desviado dinheiro dos cofres públicos.  Ela foi presa preventivamente no dia 8 de fevereiro depois de ficar 45 dias foragida. Na saída da delegacia, eles não quiseram comentar o assunto.

Segundo a Polícia Civil, o objetivo da acareação é saber de quem era a responsabilidade em fiscalizar a tesouraria da prefeitura e porque ninguém descobriu antes os desvios de dinheiro feitos pela ex-funcionária. Ainda segundo a polícia, na acareação, Emerson admitiu que a função de auditar a tesouraria era dele, mas que não conseguia fazer o serviço porque Sueli se recusava a entregar documentos e que ele não tinha autoridade pra obrigá-la a cumprir suas ordens. Disse também que chegou a levar esta questão para o ex-secretário de finanças.

Mudanças
O secretário de finanças Armando Cunha foi exonerado pelo prefeito Otacilio Parras. Ele estava no cargo desde 2001 e passou por três administrações diferentes. O ex-secretário de finanças disse em nota que recebe a exoneração com naturalidade e tranquilidade. Falou ainda que espera que a apuração dos fatos transcorra da forma mais isenta e transparente possível e diz estar aberto a colaborar para que isso aconteça.

O novo secretário é João Carlos Zarantonelli, que ocupava o cargo de diretor de fiscalização tributária. Mas segundo o secretário de gestão e comunicação social Célio Guimarães, a mudança não tem a ver com a investigação do desvio. “Vai haver outras mudanças no departamento que compõe a secretaria de finanças. Isso é um processo de restruturação da secretaria, nada mais que isso.”

A prefeitura também informou que a sindicância interna que apurou os desvios já foi concluída, mas o relatório final não vai ser divulgado, por enquanto. Com base nesse relatório, já foi iniciado o processo administrativo contra Sueli Feitosa, com isso ela deve ser demitida do cargo concursado que ocupava.

Na delegacia os policiais analisam os documentos da quebra de sigilo bancários da família Feitosa. Segundo a polícia o montante desviado é de mais de R$ 7 milhões.

Flagrante
Durante o tempo que ficou foragida, a polícia fez buscas em diversos endereços. Um vídeo gravado em um hotel em Campinas mostra o momento em que o advogado Antônio Maruca, a cliente dele Sueli Feitosa, as irmãs dela Silvia e Camila e o cunhado Adilson entram no hotel. Sueli aparece com o braço enfaixado. As imagens foram gravadas dia 24 de dezembro de 2016, na data ela ainda não era considerada foragida, mas foi um dia depois da prefeitura ter anunciado desvios de R$ 3,5 milhões dos cofres do município e ter apontado a ex-tesoureira como principal responsável.

Segundo a polícia, em depoimento os parentes de Sueli negaram ter estado com ela naquele dia. De acordo com as investigações, ela ficou hospedada no local em Campinas alguns dias e depois mudou de esconderijo.

Polícia faz acareação sobre desvio milionário em Santa Cruz do Rio Pardo

Enquanto isso, a polícia monitorava os passos da família. Na segunda-feira (6), o cunhado de Sueli, Adilson Gomes de Souza teve a prisão decretada. Segundo a polícia, além de esconder provas e documentos, ele é um dos beneficiários diretos dos desvios de dinheiro da prefeitura.

A mãe de Sueli, Maria da Conceição também foi presa por atrapalhar as investigações e ser beneficiária do dinheiro. Ela ficou treze dias na penitenciária de Pirajuí até que a Justiça concedeu a liberdade provisória e na terça-feira ela deixou o presídio.

Segundo a polícia existem indícios de que ele foi beneficiado com dinheiro supostamente desviado da prefeitura. Adilson será levado pra cadeia de São Pedro do Turvo.

No dia 27 de janeiro, Camila e Adilson foram à delegacia espontaneamente e mudaram o depoimento após a prisão da mãe da ex-tesoureira. De acordo com o delegado Valdir Alves de Oliveira, o casal mudou parte das declarações que podem alterar as investigações.

“O Adilson alterou apenas um tópico de sua versão anterior, que não muda muito o caminho da investigação. Mas essa declaração vai ser usada depois em outro procedimento que vai ser instaurado contra ele. Eu não posso revelar este tópico porque pode atrapalhar nossa investigação”, explica o delegado.

Dois caminhões de Adilson foram apreendidos. Se comprovada a ligação entre o dinheiro utilizado na compra dos veículos com os supostos desvios de dinheiro da prefeitura, os veículos serão utilizados para ressarcir os cofres públicos.

Na quarta-feira (1º), Maria da Conceição foi ouvida novamente pela Polícia Civil e mudou o depoimento. Segundo o delegado, desta vez a aposentada admitiu que a maioria dos bens da família foi pago por Sueli Feitosa. "No primeiro depoimento ela disse que foi com muito esforço que conquistaram o que tem, com venda de imóveis. E hoje ela reconheceu que grande parte dos imóveis foi comprado com valores dados pela filha Sueli, o que corrobora as investigações da polícia", diz o delegado Renato Mardegan.

Ainda segundo Mardegan, a idosa contou à polícia que chegou a questionar a filha sobre o dinheiro. "Ela disse que desconfiou e chegou a interpelar a filha Sueli sobre esses valores e ela desconversava e ela passivamente aceitava essa situação."

Sequestro de bens
A Justiça determinou na segunda-feira (30) o sequestro dos bens da ex-tesoureira. Sete imóveis, sendo uma chácara e seis casas dela e de parentes, estão bloqueados. A casa em que Sueli de Fátima Feitosa morava está avaliada em R$ 1 milhão, segundo a polícia. Com o sequestro, os donos não podem vender esses bens.

“Já tínhamos pedido o bloqueio de vários veículos que estão relacionados a Sueli e a familiares. São bloqueios administrativos, a pessoa tem um gravame no veículo e não pode vender. E também agora esses sequestros dos imóveis que é lançado na matrícula desses imóveis esse gravame, também não pode ser alienado e no final do processo, se o juiz entender que são bens oriundos do ilícito, eles serão alienados e ressarcidos da prefeitura”, explica o delegado Valdir Alves de Oliveira.

Beneficiária direta
Maria da Conceição Feitosa, de 70 anos, foi presa na quinta-feira (26). A mãe da ex-tesoureira agiu com o objetivo de dificultar as investigações e é beneficiária direta dos desvios de dinheiro feitos pela filha, ainda de acordo com o delegado.

Com base em um levantamento de todas as posses e bens em nome de Sueli Feitosa e em pessoas da família dela, a polícia afirma que a ex-tesoureira da prefeitura é suspeita de ter desviado mais que os R$ 3,5 milhões descobertos inicialmente.

A polícia chegou a essa conclusão prévia depois que uma análise apontou que o patrimônio da suspeita e da família é maior do que o valor de dinheiro desviado e que é incompatível com o que ela recebia como funcionária, aproximadamente R$ 2 mil por mês.

A polícia já ouviu no inquérito as três irmãs de Sueli, dois cunhados e a mãe dela, todos na condição de investigados. A polícia ainda aguarda a decisão da Justiça sobre os pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de Sueli Feitosa.

Desvio de verba

Segundo o delegado, o objetivo é descobrir qual o real patrimônio construído pela funcionária pública Sueli de Fátima Feitosa enquanto ocupou o cargo de diretora na prefeitura. “Através da queda do sigilo fiscal nós conseguimos analisar o patrimônio dela e dos familiares a fim de verificar se existe uma correspondência entre o ganho real e o patrimônio que eles ostentam e declararam à Receita Federal.”

Segundo as investigações, a suspeita pegava dinheiro do caixa da prefeitura e depositava em contas pessoais. Para esconder o desvio extratos bancários eram falsificados. A Polícia Civil apreendeu documentos, contratos e computadores na casa da suspeita - que não está na cidade - e de parentes dela. Todo o material está sendo analisado. Segundo o delegado, o responsável pode responder por peculato, falsificação, falsidade ideológica, estelionato e possível associação criminosa. (G1 Bauru Marília)

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