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Portugal tem guinada à direita em eleições marcadas por crescimento da extrema direita

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Portugal tem guinada à direita em eleições marcadas por crescimento da extrema direita

Aliança Democrática (AD), de centro-direita, foi o partido mais votado com 29,52%

A oposição de centro-direita de Portugal venceu as eleições legislativas deste domingo (10) por uma margem estreita, com a extrema direita duplicando seus votos, marcando uma guinada à direita do país após oito anos de governo socialista, de acordo com os resultados oficiais quase completos.

A Aliança Democrática (AD), de centro-direita, foi o partido mais votado com 29,52%. O partido liderado por Luís Montenegro, de 51 anos, terá 79 deputados dos 230 assentos legislativos em Portugal, segundo os números divulgados pelo Ministério do Interior.

O Partido Socialista, que em 2022 havia conquistado uma maioria absoluta, ficou em segundo lugar com 28,66% dos votos e 77 assentos. Restavam quatro assentos a serem atribuídos às circunscrições no exterior.

O partido Chega, de extrema direita e liderado por André Ventura, de 41 anos, mais do que dobrou seus votos, conquistando 18% dos votos, ante 7,2% nas eleições de janeiro de 2022. "Parece inevitável que a AD venceu as eleições e que os socialistas perderam", declarou Montenegro a seus simpatizantes em Lisboa.

No entanto, os resultados não permitem que a AD forme uma maioria absoluta de pelo menos 116 legisladores, nem mesmo em aliança com um pequeno partido liberal que conquistou oito assentos.

Durante a campanha, Montenegro descartou formar governo com o apoio da extrema direita. A três meses das eleições europeias, estas eleições antecipadas confirmam que a extrema direita está em ascensão em todo o continente, como já foi visto na Itália e nos Países Baixos.

Portugal era um dos poucos países da Europa liderados pela esquerda quando, em novembro, o primeiro-ministro António Costa renunciou após ser citado em uma investigação por tráfico de influência. Após a saída de Costa, o PS se reuniu em torno do nome de Pedro Nuno Santos, ex-ministro de 46 anos da ala esquerdista do partido.

Resultado "absolutamente histórico"

O resultado mantém o Chega como a terceira força política do país e confirma as pesquisas pré-eleitorais para este partido anti-establishment. O Chega foi criado em 2019 por André Ventura, um professor de Direito de 41 anos, ex-comentarista de futebol e conhecido por seus ataques xenófobos contra a minoria cigana.

 

É um "resultado absolutamente histórico", comemorou Ventura após as pesquisas de boca de urna. O político disse que estava "disponível" para oferecer "um governo estável a Portugal" dentro de "uma sólida maioria de direita".

O aumento da extrema direita no país ocorre enquanto Portugal se prepara para comemorar no próximo mês o 50º aniversário da Revolução dos Cravos, que pôs fim à ditadura fascista e a 13 anos de guerras coloniais.

Além das suspeitas de corrupção que levaram à renúncia de António Costa, Ventura alertou durante a campanha sobre o aumento da imigração no país. A população estrangeira em Portugal duplicou nos últimos cinco anos.

A taxa de abstenção, estimada entre 32% e 38% pela pesquisa da RTP, seria a mais baixa desde 2005. O histórico do atual governo socialista tem sido marcado pela inflação, apesar da consolidação das finanças públicas, do crescimento acima da média europeia e do baixo desemprego.

Portugal também sofreu com problemas nos serviços de saúde e nas escolas, além de uma grande crise imobiliária. Além disso, há uma série de escândalos de corrupção, que acabaram derrubando Antonio Costa, e o aumento da população migrante, que dobrou em cinco anos, dois dos temas eleitorais da extrema direita.

CORREIO DO POVOAFP

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