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'Quadrilhas continuam a agir com desfaçatez', afirma Dodge ao endurecer discurso contra corrupção

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'Quadrilhas continuam a agir com desfaçatez', afirma Dodge ao endurecer discurso contra corrupção

Procuradora-geral reafirmou que tem o compromisso de combater com vigor ataques aos cofres públicos

Agência O Globo

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou nesta segunda-feira (4) que o Ministério Público Federal (MPF) deve redobrar os esforços para combater a corrupção porque, apesar de todo trabalho que vem sendo feito ao longo dos últimos anos, quadrilhas influentes continuam em ação para desviar dinheiro público. De acordo com a procuradora-geral, a corrupção é escandalosa e deve ser tratada com toda intolerância. Raquel falou sobre o assunto na abertura da celebração do Dia Internacional de Combate à Corrupção, na sede da Procuradoria-Geral.

"Algumas quadrilhas foram desbaratadas, mas muitas continuam a agir com desfaçatez, à luz do dia e em conluios que não escapam a registros, a câmaras de vídeo e a colaborações; outras escondem quantias milionárias, às vezes de modo tão petulante e displicente que nos dão a certeza de que não temem a punição. A obra realmente está incompleta e reclama operários persistentes, incansáveis, destemidos e determinados. Aqui estamos", disse Dodge no discurso mais contundente que fez desde que assumiu o comando da Procuradoria-geral.

Nos últimos meses, a Câmara dos Deputados barrou duas denúncias por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça formuladas pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer. Numa outra investigação, a Polícia Federal apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento usado em Salvador pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, um dos ex-principais auxiliares do presidente. No discurso Raquel Dodge falou sobre a importância do mensalão e da Lava-Jato, mas disse que o combate à corrupção requer atitude ainda mais firme.

"No Brasil, a corrupção é um fato tão escandaloso que o sentimento de todos os brasileiros e do Ministério Público, como instituição de controle e de fiscalização, é de intolerância absoluta com a corrupção. A pequena e a grande corrupção. Esta é a urgência do agora. É por isto que nos reunimos aqui para dizer, de modo eloquente, que vamos redobrar o grande esforço já feito até o momento contra a corrupção, para aplicar a Constituição e a lei, porque percebemos que o muito alcançado ainda é insuficiente para paralisar desvios e apropriações ilícitas" afirmou.

A procuradora-geral afirma ainda que é importante manter a vigilância sobretudo porque 2018 é um ano eleitoral e, com base em relatos do Tribunal de Contas da União (TCU), seriam evidentes sinais de desvios em contratos públicos. Raquel Dodge tentou ainda afastar o que ela considera preocupações sobre a verdadeira disposição do novo comando da Procuradoria-Geral de promover o combate irrestrito à corrupção.

A procuradora-geral reafirmou que tem o compromisso de combater com vigor, ainda que em silêncio, ataques aos cofres públicos. Ela também defendeu a primazia do Ministério Público Federal sobre acordos de delação premiada e a preservação da prisão em segunda instância, dois pilares da Lava-Jato.

- Jornal do Comércio -

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