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Rótulos de alimentos deverão ter advertências em três cores

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Rótulos de alimentos deverão ter advertências em três cores

Novo presidente da Anvisa prevê consulta pública em breve, assim como a regulamentação do plantio da maconha para pesquisa

O caminho até que as mudanças nos rótulos dos alimentos cheguem às prateleiras ainda é longo Foto: Daniel Teixeira/Estadão

BRASÍLIA - Nomeado nesta sexta-feira, 21, para a presidência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o médico cardiologista William Dib afirmou que ainda neste semestre será definida a regulamentação do plantio da maconha para fins de pesquisa. Também deverá ser colocada em breve em consulta pública novas regras para advertências em rótulos de alimentos, uma medida considerada essencial por especialistas em saúde para tentar reduzir o consumo excessivo de salaçúcar e gordurano País. De acordo com Dib, há praticamente um consenso para que os avisos devam usar três cores: verde, vermelho e amarelo. 

No entanto, não está definido ainda em que formato tais avisos seriam inseridos nas embalagens. "O mais importante é que a população tenha acesso a uma informação coerente e comparável", disse. 

A ideia é que tabelas sigam o mesmo padrão para a concentração de sal, açúcar e gordura.

O caminho até que as mudanças cheguem às prateleiras, porém, ainda é longo. Feita a consulta pública, o texto vai ainda para a equipe técnica, onde há uma nova rodada de discussão com setores interessados para, somente então, ocorrer uma decisão da Anvisa.

"Esse é um assunto muito importante para a economia e para o consumidor, é preciso manter o diálogo."

Dib afirmou ainda ser preciso definir estratégias para garantir que advertências em embalagens de pequenos produtos sejam visíveis. "Temos de ter propostas para embalagens primárias e secundárias", disse.

As advertências em alimentos são consideradas essenciais por especialistas em saúde para que população tenha informação adequada e, com isso, possa fazer escolhas de alimentos mais saudáveis. Rótulos atuais, garantem, são confusos e dificultam comparação entre produtos.

A indústria defende um modelo de semáforo, um formato considerado inadequado por entidades ligadas à saúde. A opção melhor, apontam especialistas em saúde, são advertências que digam apenas se o produto tem altos teores, seja de gordura, açúcar ou sal.

Dib foi nomeado dias depois de se encontrar com o presidente Michel Temer (MDB). Desde a saída de Jarbas Barbosa da presidência da Anvisa, em julho, travou-se uma acirrada disputa entre demais diretores para ocupar o cargo. De acordo com o novo presidente, Temer sugeriu a ênfase na área de tecnologia da informação. Dib afirmou que vai procurar investir nessa área, sobretudo para dar mais agilidade em registros de produtos e para garantir o monitoramento de remédios que já estão no mercado.

"Ela vai trazer também agilidade nos portos e aeroportos, além de permitir colocar em prática o sistema de rastreabilidade de medicamentos", disse o novo presidente.

O sistema é uma espécie de RG que permite acompanhar a trajetória dos medicamentos desde a saída da fábrica até os pontos de venda. O  presidente afirmou que a implantação do processo esbarrou num processo de aquisição, mas que deverá ser retomada, dentro da estratégia de investimento em tecnologia de informação.

Maconha

Em relação ao plantio de maconha para uso terapêutico, disse, a pauta será retomada em breve. Havia o receio de que o tema, que está em fase avançada de discussão, seria engavetado neste ano, principalmente para evitar polêmicas durante um período de eleições.

"É uma discussão profunda. O Brasil é signatário de vários instrumentos de que não faria a comercialização do produto. Mas para fins de pesquisa científica é possível e acredito que até o fim do ano teremos um encaminhamento."

- Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo -

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