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Siamesas unidas pela cabeça mostram evolução e já tentam dar primeiros passos, diz pediatra

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Siamesas unidas pela cabeça mostram evolução e já tentam dar primeiros passos, diz pediatra

Meninas, de 2 anos, passaram por três das cinco cirurgias de separação previstas para acontecer em Ribeirão Preto (SP). Médica conta que gêmeas estão aprendendo a falar e brincam juntas.

Siamesas unidas pela cabeça passam por processo de separação em Ribeirão Preto (Foto: Diego Freitas Farias/Arquivo Pessoal)

A menos de dois meses para a última etapa do processo de separação, as siamesas unidas pela cabeça se desenvolvem bem e até mais rápido do que o previsto, segundo avaliação da equipe médica do Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto (SP).

Aos 2 anos, Maria Ysadora e Maria Isabelle, que permanecem deitadas a maior parte do tempo, estão aprendendo a falar, brincam juntas e até ensaiam os primeiros passos, que serão possíveis mesmo, após a última cirurgia, antecipada para outubro.

“A evolução delas foi surpreendente para todos. Elas querem brincar, querem sair de onde estão e se ajudam bastante. A Ysabele se movimenta um pouco mais, a Ysadora faz força com o corpo para puxá-la, e vice-versa”, conta a oncologista pediatra Maristella Francisco dos Reis.

A médica integra a equipe de 30 profissionais que participam das cirurgias de separação das siamesas e acompanha a família das meninas, que é de Patacas, distrito de Aquiraz (CE), desde que se mudaram temporariamente para Ribeirão, em janeiro deste ano.

 
Terceira cirurgia de separação das irmãs siamesas unidas pela cabeça em Ribeirão Preto (Foto: Hospital das Clínicas FMRP-USP/Divulgação)Terceira cirurgia de separação das irmãs siamesas unidas pela cabeça em Ribeirão Preto (Foto: Hospital das Clínicas FMRP-USP/Divulgação)
 

“Elas aprenderam a pegar brinquedos com os pés e trazer até as mãos, e passam brinquedo uma para a outra, e brigam por causa dos brinquedos também. Elas estão falando algumas palavras, então elas chamam algumas pessoas com quem têm mais afinidade”, detalhou.

Apesar de a equipe não descartar a possibilidade de que uma das irmãs fique com sequelas, após o último procedimento, a pediatra disse que a expectativa é positiva, destacando que a regeneração e adaptação cerebral é maior nas crianças.

“Elas estão falando papai, mamãe. Alguns amiguinhos que elas fizeram em Ribeirão, elas também falam os nomes deles. Já reconhecem praticamente toda a equipe. Então, realmente, a evolução delas é surpreendente”, afirmou.

 
A oncologista pediatra Maristella Bergamo Francisco dos Reis (Foto: Chico Escolano/EPTV)A oncologista pediatra Maristella Bergamo Francisco dos Reis (Foto: Chico Escolano/EPTV)

 

Processo de separação

Maria Ysabelle e Maria Ysadora passaram pela terceira cirurgia no último sábado. O procedimento durou oito horas e, segundo o neurocirurgião Hélio Rubens Machado, foi o mais complexo. Machado disse ainda que 80% dos cérebros das siamesas já foram separados.

As gêmeas devem passar pela quarta cirurgia em 1º de setembro, quando serão implantados quatro expansores subcutâneos para dar elasticidade à pele e garantir que, na separação total de corpos, haja tecido suficiente para cobrir os crânios.

Após cada cirurgia, as gêmeas também são submetidas a uma série de exames para que a equipe desenvolva um molde das cabeças em 3D, com detalhes dos cérebros, veias e artérias, para que a equipe possa planejar a próxima etapa.

Molde em 3D mostra cérebros das irmãs siamesas em separação no HC em Ribeirão Preto (Foto: Chico Escolano/EPTV)Molde em 3D mostra cérebros das irmãs siamesas em separação no HC em Ribeirão Preto (Foto: Chico Escolano/EPTV)
 
Cerca de 30 profissionais de diferentes áreas, como neurocirgia, cirurgia plástica, pediatria, enfermagem, entre outras, participam dos procedimentos. A equipe conta com o apoio do cirurgião norte-americano James Goodrich, referência mundial no assunto.

Para facilitar a logística, a família se mudou em janeiro deste ano para Ribeirão e passou a viver provisoriamente nos fundos de uma casa usada pelo Grupo de Apoio ao Transplantado de Medula Óssea (Gatmo), dentro do campus da USP.

- Por Adriano Oliveira, G1 Ribeirão e Franca - 

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