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'Temos que reagir', diz PM que ficou paraplégico em tiroteio na folga

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'Temos que reagir', diz PM que ficou paraplégico em tiroteio na folga

Soldado da Polícia Militar paulista levou um tiro na coluna ao tentar reagir assalto em frente à sua casa, na zona norte de São Paulo

“É injusto a gente ver um criminoso tirar alguma coisa de um trabalhador, está no sangue do policial militar, nós somos policiais 24 horas por dia, por isso temos que tentar resolver, tentar impedir”. Isso é o que acredita o soldado reformado da PM Marcio Veronese, nove anos depois de ficar paraplégico ao tentar reagir a um assalto.

O soldado Veronese atuou por quase uma década no 1º Batalhão da Polícia Militar, na zona sul São Paulo, até ter trocado tiros com outro homem durante uma tentativa de assalto em frente à casa onde mora com os pais, na Freguesia do Ó, zona norte da capital.

“Um rapaz disfarçado de entregador de pizza veio me assaltar. Quando eu vi que ele ia puxar a arma, reagi automaticamente. Segurei a mão que estava a arma dele, brigamoss e houve os disparos. Eu o alvejei com dois disparos e ele me alvejou com quatro”, conta o soldado.

Veronese nunca havia sido assaltado e, durante o trabalho de policial militar também não tinha participado de nenhuma ação de confronto. A primeira e única vez que foi vítima de um roubo e trocou tiros com suspeito, em 13 de julho de 2009, o soldado levou o tiro que tirou o movimento de suas pernas e mudou toda sua rotina, inclusive o afastando da PM.

PM morre após tentativa de assalto na zona sul de São Paulo

O PM conta que chegou em casa, por volta das 22h, depois de andar de moto, e saiu novamente para usar o telefone público na calçada em frente ao portão de sua casa.

Soldado foi baleado em frente de sua casaSoldado foi baleado em frente de sua casa
Edu Garcia/R7/03.10.2018

 

Enquanto estava no telefone, viu um homem de moto e mochila de pizzaria se aproximando. "Eu já fiquei esperto, obeservando, como a gente aprende na Polícia Militar".

O suposto entregador de pizza se aproximou e teria puxado uma arma. Quando o soldado percebeu, reagiu e tentou tomar arma do suspeito. "Falei que era policial e, quando fui pegar minha arma, ele acertou o primeiro tiro em mim".

Veronese disparou duas vezes contra o peito do rapaz. E o homem atirou mais duas vezes no soldado. Os dois, então, começaram a correr em direção oposta. O soldado tentando se esconder atrás e uma árvore e o suspeito atirando a esmo. Um dos tiros acertou a coluna do soldado. "Parei de sentir minhas pernas e nunca mais voltou". 

PM é morto ao reagir a assalto em Itapecerica da Serra (SP)

 

O soldado caiu a cerca de 15 metros do portão de sua casa e a dois metros da árvore que iria tentar se esconder. “Aqui a rua é deserta, quando ouvimos os baralhos de tiros, já sabíamos que era com o Márcio, então fui correndo para a rua”, lembra Silvio Veronese dos Santos, pai do soldado. 

Quando chegou na via, o policial estava caído no chão e o responsável pelo crime já havia fugido. O assaltante teria conseguido escapar com a arma do policial. Veronese foi levado para o Hospital das Clínicas e não anda desde aquela noite de 13 de julho de 2009.

O soldado afirma que cumpriu seu papel como policial militar em tentar impedir o roubo e, caso fosse diferente, seria morto. “Ele estava se preparando para me revistar, se ele tivesse visto minha arma e soubesse que eu era policial, hoje não estaria falando com você”, diz Veronese.

O policial teve que passar por alguns ajustes em sua rotina, como mudanças na casa onde mora e adaptação em seu carro, um Chevrolet Monza 1989. "Mas os amigos continuam os mesmos, que são os policiais que vem me visitar, dão todo o apoio. Sempre recebi ajuda do batalhão, só não tenho apoio por parte do Estado mesmo", diz Veronese.

PM trabalhou por 10 anos no 1º Batalhão de São Paulo - Edu Garcia/R7/03.10.2018

Para o Estado, “a incapacidade do autor [Veronese] não está relacionada ao exercício da função militar, não havendo relação de causa e efeito com o serviço”.

Essa é a posição do Governo do Estado no processo que o soldado pede o pagamento de benefícios e “demais adicionais a que faria jus ao completar 30 anos de serviço, desde a data em que passou para a inatividade, devidamente corrigido”. O caso está em grau de recurso.

Mortos e feridos em serviço

No primeiro semestre de deste ano, 79 policiais militares foram feridos em situações parecidas com a do soldado Veronese — em horário de folga. Além disso, 78 PMs ficaram feridos em horário de serviço.

Procuradas pela reportagem, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) e o Comando da Polícia Militar não informaram quandos policiais tiveram que ser afastados por invalidez.

O Estado de São Paulo ainda teve, nos seis primeiros meses de 2018, cinco policiais mortos durante o serviço e 19 foram mortos enquanto estavam de folga.

- Kaique Dalapola, do R7 -  

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