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Testemunha de Cabral na Justiça, Lula diz que ‘está em busca da verdade’

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Testemunha de Cabral na Justiça, Lula diz que ‘está em busca da verdade’

Petista depôs no processo em que o ex-governador é acusado de ligação com esquema para comprar votos para escolha do RJ como sede olímpica

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depôs nesta terça-feira como testemunha de defesa do ex-governador do RJ Sérgio Cabral (MDB) e disse que não houve irregularidades na votação que elegeu o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula respondeu, por videoconferência, a perguntas do Ministério Público Federal e do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. O petista prestou o depoimento vestindo terno e a gravata usada no dia da eleição do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada. “Carrego esta gravata até ela desmanchar”.

Junto com Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Cabral responde a um processo sobre um esquema de corrupção para a compra de apoio na votação que escolheu a capital fluminense, investigado pela Operação Unfair Play.

“Quem fala que foi trapaça não entende nada de nada e não viveu o que nós vivemos”, disse Lula, que afirmou que a candidatura do Rio de Janeiro só poderia ser bem sucedida se houvesse o empenho do governo federal e do Ministério das Relações Exteriores.

Lula afirmou que defendeu a candidatura da cidade em todos os eventos oficiais em que participou em outros países e orientou o Itamaraty a fazer o mesmo. “Sem o envolvimento do Brasil como um todo, o Rio de Janeiro não ganharia. O Brasil vivia um momento sensacional e tinha virado um protagonista internacional.”

O ex-presidente também respondeu a perguntas da defesa de Nuzman.”Não vi nenhuma atitude dele que pudesse desabonar o Brasil ou as Olimpíadas”, disse Lula, que acrescentou que o dirigente era respeitado internacionalmente. Está previsto para as 16 horas um depoimento de Pelé, arrolado como testemunha de defesa do ex-dirigente do COB.

Ao ser avisado de seu compromisso de dizer a verdade no depoimento, Lula aproveitou para falar de seu processo. “Senhor Bretas, meu compromisso é com a verdade”, afirmou o petista, dizendo não acreditar que qualquer brasileiro esteja mais em busca da verdade do que ele. Lula, condenado na Operação Lava Jato a doze anos e um mês de prisão no processo do tríplex do Guarujá (SP), disse que “está cansado de mentiras” e que “quer a verdade”.

Condolências

O ex-governador acompanhou o testemunho ao lado de seus advogados e pediu a Bretas para cumprimentar Lula no início da audiência. “Meu abraço ao senhor e meus sentimentos pelo falecimento da Dona Marisa. Eu estava preso já. Um abraço meu, da Adriana e dos meus filhos”, disse Cabral. Em seu depoimento, Lula negou que tenha “relação íntima” com o ex-governador fluminense.

Bretas também anunciou no início da audiência que um espaço no tribunal foi reservado para que Cabral se encontre com sua mulher, Adriana Ancelmo, seus filhos e netos. Segundo Bretas, o encontro foi um pedido da defesa de Cabral e foi concedido “por questões humanitárias”.

Denuncismo

Ao responder às perguntas, o ex-presidente criticou a imprensa, afirmando que nem sempre se pode acreditar no que é publicado. Ele afirmou ainda que o Brasil vive um momento de denuncismo. “Eu só lamento que venha uma denúncia de compra de delegado anos depois. Não sei quem fez a denúncia e não quero saber. Como estamos vivendo um momento de denuncismo”, disse Lula, quando foi interrompido pelo juiz Bretas.

Ao final do depoimento, Bretas agradeceu ao ex-presidente pela “postura” e disse que Lula é uma figura importante para o país e para ele próprio. O magistrado disse que participou de um comício com Lula quando tinha 18 anos.

O ex-presidente convidou Bretas a participar de novos atos políticos. “Quando eu fizer um comício, agora eu vou chamar o senhor para participar”, disse Lula,

Operação Unfair Play

Além de Cabral e Nuzman, são réus o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como Rei Arthur; o ex-diretor de Operações do Comitê Rio 2016 Leonardo Gryner e os senegaleses Papa Diack e Lamine Diack, que teriam recebido propina para garantir votos africanos à candidatura do Brasil.

Ao aceitar a denúncia, em outubro do ano passado, Bretas escreveu: “No período compreendido entre agosto e setembro de 2009, Sérgio Cabral, Carlos Nuzman e Leonardo Gryner, de forma livre e consciente, solicitaram e aceitaram promessa de vantagem indevida de Arthur Soares, consistente no pagamento a Lamine Diack, por intermédio do seu filho, Papa Diack, no valor de, ao menos, US$ 2 milhões, com o intuito de garantir votos para o Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016”.

Testemunha de Cabral na Justiça, Lula diz que ‘está em busca da verdade’Lula também negou que tivesse relação íntima com Cabral e que o seu compromisso, no depoimento, “era com a verdade”. (IE)

VEJA (com Estadão Conteúdo e Agência Brasil) - 5 jun 2018, 14h19

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