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Três meses antes de prisão, Pezão chamou delação de Carlos Miranda de 'requentada'

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Três meses antes de prisão, Pezão chamou delação de Carlos Miranda de 'requentada'

Luiz Fernando Pezão, na véspera de prisão, disse que possibilidade de Alerj negar venda Cedae poderia prejudicar Regime de Recuperação Fiscal. Ao falar de delação premiada e 'cerco se fechando', Pezão citou tranquilidade 'absoluta'

O governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão é escoltado ao chegar à sede da Polícia Federal no Rio. Pezão foi preso nesta quinta (29) durante a operação 'Boca de Lobo' — Foto: Mauro Pimentel/AFP

 

De janeiro de 2017 a novembro de 2018, o G1 manteve contato constante com o governador Luiz Fernando Pezão, preso nesta quinta-feira (29) na operação Boca de Lobo, para apurar informações sobre o legislativo e o Executivo Estadual, segurança Pública e o processo de recuperação fiscal do Estado. Neste período, sempre através de um aplicativo de mensagens, o governador negava ter recebido dinheiro de propina.

No entanto, a delação do ex-operador financeiro de Sérgio Cabral, Carlos Miranda, foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal e utilizada como base para a operação Boca de Lobo. De acordo com o Ministério Público Federal, Pezão teria recebido R$ 39 milhões entre 2007 e 2015, e comandado um novo esquema de corrupção após a prisão de Sérgio Cabral.

Os advogados de defesas do governador, Flávio Mirza e Diogo Malan, afirmaram em nota que Pezão respondeu a todas as perguntas e negou, "veementemente", as acusações.

O "homem da mala" do ex-governador Sérgio Cabral também disse na delação que o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, guardou R$ 1 milhão em propina com um empresário do Sul Fluminense. Ele teria recebido o dinheiro em três parcelas, de acordo com Pereira. Em 29 de agosto, questionado sobre o conteúdo da delação, Pezão negou as acusações e escreveu:

“É a terceira vez que sai ! Requenta da requenta”, disse ele, querendo dizer que a informação era ‘requentada’. Pezão negou, em qualquer momento, ter tido contas no exterior. “Só tive duas contas na minha vida: uma do Banerj/Itau e agora Bradesco”, argumentou, em abril de 2017.

 

Último contato

Uma votação da lei de um veto do governador Luiz Fernando Pezão na Alerj na tarde de quarta-feira (28) motivou o último contato da reportagem com o chefe do executivo estadual. Pezão disse que, caso a venda da Cedae fosse revogada, o Rio poderia ter dificuldades no processo de Recuperação Fiscal em 2019. A votação acabou caindo por falta de quórum. A conversa pelo aplicativo aconteceu às 17h03. Às 6h desta quinta (29), Pezão estava preso pela Polícia Federal no Palácio Laranjeiras, na Zona Sul do Rio.

Em outros diálogos, Pezão comentou, a pedido da reportagem, momentos como a prisão de Eike Batista, em janeiro de 2017 e as acusações recorrentes contra Sérgio Cabral, e enviou links de reportagens na imprensa para repercutir delações que não o incluíam nos esquemas de corrupção do governo Cabral. Sobre a prisão de Cabral, aliás, Pezão se disse ‘arrasado’.

“Chegava de manhã e voltava com ele à noite, muito sofrimento!”

Pezão também foi questionado a respeito da delação de Jonas Lopes Neto, filho do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jonas Lopes, em que este dizia ter pago R$ 900 mil em despesas do governador e discutido propinas com o chefe do executivo.

Segundo o delator, o subsecretário de comunicação do Estado na época, Marcelo Santos Amorim, o 'Marcelinho', apresentou uma anotação indicando que teria arrecadado quase R$ 900 mil junto a empresas de alimentação, mas que teria usado a quantia para pagamento de despesas do governador.

Pezão foi taxativo e chamou a delação de “mentira deslavada”. Nesta quinta-feira, Marcelo Santos Amorim foi preso durante a operação Boca de Lobo.

A reportagem, também em abril, perguntou se o ‘cerco’ não estaria se fechando contra ele, Pezão, e Jorge Picciani, então presidente da Alerj.

“É ruim hein, tenho tranquilidade absoluta! ”, disse o então governador em 3 de abril de 2017, acrescentando ainda que ‘não faria julgamento de ninguém’ entre os cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado presos poucos dias antes.

Em novembro do mesmo ano, Pezão avaliava que Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo, presos na Operação Lava Jato, tinham o direito de se defender, e negou irregularidades no processo de nomeação do deputado Edson Albertassi para o Tribunal de Contas. No dia 20, o governador compartilhou uma reportagem da TV Globo sobre a delação de Renato Pereira, homologada no STF. Segundo Pezão, o depoimento o livrava de acusações de continuar mantendo um esquema de corrupção envolvendo a Secretaria de Comunicação Social do Governo, conhecido como “Movimento Social”.

Pereira afirmou que com a entrada do governador Pezão, essa contribuição deixou de existir. "Ele nunca pediu para ele e nós automaticamente deixamos de pagar às outras pessoas", afirmou o marqueteiro. Ao enviar o texto da matéria, uma frase de Pezão se seguia: “A verdade vai aparecendo aos poucos!”

 

A operação

Nesta quinta-feira (29), houve mandados de prisão e de buscas em endereços ligados à empresa JRO Pavimentação, citada na delação que afirmava que Pezão recebeu dinheiro entre 2007 e o fim do governo Cabral. Cláudio Fernandes Vidal, sócio da J.R.O Pavimentação, foi preso. Luiz Alberto Gomes Gonçalves, outro sócio, é considerado foragido pela Polícia Federal.

 
Arte detalha esquema de Pezão e Cabral, segundo o MPF — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1

Arte detalha esquema de Pezão e Cabral, segundo o MPF — Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1

 
Pezão e o governador eleito Wilson Witzel na reunião nesta terça-feira (27), em um dos últimos compromissos públicos antes da prisão — Foto: Raoni Alves/G1Pezão e o governador eleito Wilson Witzel na reunião nesta terça-feira (27), em um dos últimos compromissos públicos antes da prisão — Foto: Raoni Alves/G1
 
- Por Henrique Coelho, G1 Rio -  
 
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